O Rei do Show | Crítica 2

Quem pode definir o que é arte?


O Rei do Show
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Um show de horrores ou o maior espetáculo da terra? Quem pode definir aquilo que é arte? É levantando questões como estas e abordando temas polêmicos como o preconceito e a desigualdade social que o magnífico O Rei do Show chega às telonas de uma maneira excepcional.

O longa retrata a biografia de P.T. Barnum, interpretado brilhantemente por Hugh Jackman (Logan). O showman desafia as barreiras sociais se casando com a filha do patrão do pai, Charity (Michelle Williams),  e dá o pontapé inicial na realização de seu maior desejo abrindo uma espécie de museu de curiosidades. No entanto, o empreendimento fracassa e ele logo vislumbra uma ousada saída: produzir um grande show estrelado por freaks, fraudes, bizarrices e rejeitados de todos os tipos. Sei que esta premissa parece um pouco a de American Horror Story: Freak Show, mas diferente da narrativa maçante da série de Ryan Murphy, aqui o ritmo é bem empolgante a não conseguimos desgrudar os olhos da tela. As cenas são hipnotizadoras.

O Rei do Show
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Tanto Jackman, quanto Zac Efron se desprenderam totalmente dos personagens icônicos que marcaram seus rostos nos cinemas. Em nenhum momento vemos o rabugento Logan ou o adolescente sonhador de High School Musical. A interação entre eles é perfeita, a amizade imprimida na tela consegue transparecer um grande companheirismo entre eles. Ambos conseguem interpretar perfeitamente seus papéis, mesmo que o veterano ainda se saia melhor nos musicais.

A acrobata interpretada por Zendaya, sem ajudas de dublês, é uma verdadeira poesia visual. O romance com o personagem de Zac é lindo e com certeza fará diversas adolescentes suspirarem apaixonadas. Michelle Williams cumpre seu papel como esposa apaixonada e também nos faz torcer pelo seu final amoroso ao lado de Jackman.

Zendaya O Rei do Show
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Uma personagem que roubou a cena foi Keala Settle (Ricki and the Flash: De Volta Para Casa) que, apesar de ser bastante mal aproveitada pelo roteiro, conseguiu bilhar em “This is me”, uma música que reflete o orgulho e a aceitação própria dos personagens. Arrisco a dizer que, ao lado de “Rewrite the Stars”, essas músicas têm fortes chances de ganharem um Óscar.  “Never Enough” é emocionante, mas ao invés de ser cantada por Rebecca Ferguson, estava sendo dublada pela voz de Loren Allred. Ao contrário das outras essa música, apesar de linda, em nada a acrescenta a trama principal. Sua personagem, Jenny Lind, foi criada inicialmente para ser interpretada por Anne Hathaway.

Em seu primeiro longa-metragem, Michael Gracey traz uma direção digna de veterano. Com muita segurança, o diretor dá ótimo ritmo ao filme com edições dignas de videoclipe. Ao contrário do aclamado La La Land, que também teve trilha sonora original composta por Jenny Bicks (produtora da série Sex and the City) em parceria com Bill Condon (Chicago e A Bela e a Fera), as músicas aqui não são no estilo Broadway, mas embaladas pelo Pop moderno num ritmo que contagia desde a belíssima sequência de abertura.

Nos dando a sensação de um grande espetáculo nas telas do cinema, o filme condensa a vida de Barnum numa versão a ser consumida pelas massas como um grande produto da indústria cultural. Enérgico, cativante e visualmente belo, O Rei do Shownão traz as mesmas referências que La La Land, tampouco inova como Moulin Rouge: Paixão em Vermelho. No entanto, o filme entretém e fascina aqueles que estão assistindo fazendo com que saiam das salas de cinema com uma mensagem de esperança. Merece ser visto por toda a família nas férias.

Com ajuda do Review

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Egnaldo Júnior

Colunista, escritor, blogueiro, humorista e radialista. Técnico em Segurança do Trabalho, Jornalista em formação. Amante da televisão, das séries, tecnologias e redes sociais. Adora comédia romântica e filmes de terror/horror. #Paz

O Rei do Show | Crítica 2