Lady Bird: É Hora de Voar | Crítica


Vida adolescente, dramatizada.

Está agendado para chegar ao circuito nacional, no próximo dia 15 de fevereiro, o drama (com pitadas de humor) Lady Bird: É Hora de Voar, da diretora Greta Gerwig sua segunda produção como diretora. No elenco, Saoirse Ronan assume o papel principal como a adolescente Lady Bird e que deseja desesperadamente conquistar sua liberdade e sair da cidadezinha onde mora, Sacramento.

Cristine McPherson (Saoirse Ronan) mora com seus pais em Sacramento, nos Estados Unidos. Ela tem uma relação difícil com a mãe, Marion McPherson (Laurie Metcalf) e um pai amoroso, porém deprimido, Larry McPherson (Tracy Letts). Ela mesma de batiza de Lady Bird e só atende aos chamados por este codinome, o que torna a relação com sua família ainda mais complicada. Na escola religiosa que frequenta, Julie Steffans (Beanie Feldstein) é a única amiga verdadeira com quem pode contar.

Com base nesta não-tão-incomum premissa, a obra desenrola-se por 93 minutos de drama adolescente norte americano.

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Apesar de ter sido indicado a cinco Oscars; melhor filme (Scott Rudin, Eli Bush, Evelyn O’Neill), melhor atriz (Laurice Metcalf), melhor direção (Greta Gerwig) e melhor roteiro (Greta Gerwig), o presente título falha em proporcionar ao espectador um desfecho lógico, o que transmite a dúvida de qual é – em primeiro lugar- o objetivo de todas aquelas cenas que irradiam da tela, podendo ser considerado um dos mais superestimados (overrated) filmes da premiação de 2018

A diretora Greta Gerwig imprime na película parte de sua própria experiência, tanto de vida como de atriz. No que diz respeito ao primeiro, a coincidência é que a narrativa acontece em 2003, quando Lady Bird está prestes a ingressar na faculdade, assim como ocorreu na vida pessoal da referida filmaker. O segundo ponto refere-se à própria experiência da cineasta com títulos de arte, no qual possui vasta experiência.

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A direção pesa completamente para o lado artístico. O espectador verá ângulos aéreos e incomuns cercarem os personagens. Algumas cenas são até mesmo estáticas e sem ação alguma, como a mãe Marion e Lady Bird deitadas sendo capturadas à tela por uma perspectiva vista de um ângulo superior. O passo que a narrativa adota é lento e parado, contribuindo para a tonalidade ‘de arte’ da produção.

O roteiro, também escrito por Greta Gerwig, falha em entregar uma problemática que busque uma resolução ou clímax. Ao invés, a sequencia de cenas caminha em linha reta, drama pós drama, até que enfim termina. É o tipo de filme que deseja mostrar uma realidade vivida por um grupo de personagens e seus dilemas. Não há resolução, tudo fica em aberto. Tal ‘estilo’ pode até agradar os que apreciam este tipo de característica, porém, irá desagradar aos que ansiosamente aguardam o final do longa, pois não há.

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A atriz indicada ao Oscar, Saoirse Ronan, no papel de Lady Bird é – entre todos os outros indicados – um dos mais overrated a disputarem a estatueta. Isso ocorre justamente por tratar-se de um papel com pouca expressão. Sem dúvida Lady Bird é um personagem complexo, com camadas, mas isso não exclui o quão sem vida ela também é. Saoirse entrega o proposto: uma adolescente com todas as suas inseguranças, dúvidas e imperfeições. Agora, se este personagem é forte o suficiente para merecer um Oscar, a resposta é negativa.

Outro fator a mencionar-se é a trilha sonora. Esta é tão sem expressão quanto a personagem principal. O áudio da película é, em sua (grande) maior parte, silêncio. Poucos temas reprisam-se ao longo da projeção, como uma gaita suave… apenas. Até mesmo a ambientação de pássaros e vento batendo nas árvores não é notado pelos canais surround. É claramente um filme visual onde os espectadores que prezam por este aspecto irão recomenda-lo com base na fotografia e não no som envolvente e bem mixado.

No mais, Lady Bird: É Hora de Voar é uma obra mediana e sem expressão. A diretora pesa na mão para deixa-lo numa roupagem artística, porém deixa de lado o restante; roteiro, som e clímax. Espectadores que já apreciam o formato (passo lento, silêncio, ausência de clímax) irão deliciar-se com a projeção, porém, o público geral narrará a experiência como 93 minutos que vieram do nada para levar a lugar nenhum.

 

 

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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