A Forma da Água | Crítica 2


Cinema levado a sério

Estreia nesta quinta-feira, dia 01 de fevereiro, o longa mais indicado ao Oscar de 2018: A Forma da Água. Dirigido pelo aclamado Guillermo del Toro (de A Colina Escarlate), o título está concorrendo em nada menos do que 13 categorias na premiação mencionada, incluindo melhor filme e melhor diretor. Como de costume, a curiosidade geral, de cinéfilos e frequentadores, é elevada a níveis extremos. Veja o que esperar deste grande lançamento nos parágrafos a seguir.

A narrativa ambienta-se nos anos 60, Elisa Esposito (Sally Hawkins, indicada ao Oscar de melhor atriz) é faxineira em um laboratório ultra secreto, juntamente com Zelda Fuller (Octavia Spencer, vencedora do Oscar como atriz coadjuvante por Histórias Cruzadas). Certo dia, um novo experimento chega às instalações, trazido pelo chefe de segurança Richard Strickland (Michael Shannon). Por acaso, Elisa descobre o objeto do novo experimento; uma criatura humanoide (Doug Jones) trazida do mar e aos poucos um enorme afeto cria-se entre eles.

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Uma premissa interessante e digna dos contos trazidos por Toro. Apesar da estranheza inicial, o longa encanta e prende a atenção do espectador.

Gillermo del Toro já é conhecido por títulos que mesclam certa mitologia e realidade. Na obra em análise, o diretor faz uma homenagem ao cinema clássico, presenteando o espectador com belíssimos cenários dos anos 60. A cinematografia de Dan Laustsen é detalhista, fazendo jus à indicação que levou (melhor cinematografia). Os ambientes são um tanto quanto escuros e o cineasta brinca com as luzes, focando no que deve ser mostrado e jogando uma penumbra ao fundo. A construção de cada cena é feita com respeito à 7ª arte, unindo o cinema moderno com o old school em perfeita junção.

No quesito roteiro, escrito pelo próprio Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (também indicado ao Oscar), este brilha em tela ao conseguir colocar na mesma obra, com grande êxito, diversos momentos que extraem emoções fortes e verdadeiras da audiência. Alguns títulos sofrem por mostrarem fatos que ocorrem muito rápido ou muito devagar. Aqui, o passo mediano da narrativa é assertivo e não cansa, muito menos entedia. Isso permite que o espectador evolua com os personagens e sinta o que eles estão sentindo, sem soar forçado ou falso.

O que se vê é justamente o oposto, performances naturais e reais por parte de todo elenco. Outro ponto onde a obra objeto desta avaliação fora indicado à estatueta.

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Sally Hawkins (de Maud Lewis), indicada ao Oscar de melhor atriz, dá show em tela ao viver a simples faxineira Elisa Esposito que, por sinal, é muda e não consegue falar. Suas expressões corporais sinceras e belas são a principal fonte de emoções que são jogadas na plateia. Exalando grande carisma, a personagem não demora para conquistar o público.  Dividindo atenção, Octavia Spencer (Ganhadora do Oscar e mais uma vez indicada por um papel coadjuvante) vive a colega de trabalho de Elisa; Zelda Fuller e proporciona diversos momentos de alívio cômico sutil.

Octavia presenteia o espectador com seu sorriso doce e empatia com a personagem principal, não importando o quão incomum a situação seja.  Outro ator que também fora indicado ao Oscar é Richard Jenkins (não mencionado em linhas pretéritas) no papel do pintor Giles. O reservado personagem compõe o núcleo de coadjuvantes, sendo a única companhia de Elisa fora das paredes do laboratório. Aos poucos, o público é capaz de deduzir o porquê da solidão e afastamento social deste protagonista que, assim como Zelda, exala empatia.

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Ainda no elenco, podemos observar Michael Stuhlbarg (de Me Chame Pelo Seu Nome) vivendo o Dr. Robert Hofftetler, funcionário do laboratório com intenções turvas e difíceis de serem esclarecidas, o que contribui intensamente ao mistério. Michael Shannon encarna o perverso Richard Strickland ocupando o polo do vilão. Na verdade, este personagem incorpora o tradicional Americano patriota militar. O bad guy não poupa esforços para conseguir o que quer e assedia as mulheres sem piedade, inclusive, sua própria esposa.

No item auditivo, tudo é muito minucioso e bem posicionado. A dupla Nathan Robitaille e Nelson Ferreira foram indicados ao Oscar de melhor edição de som, e com boas razoes. A função do sistema de som do cinema, seja DOLBY DIGITAL ou similar é imergir o espectador na trama. Neste longa, onde não há ação propriamente dita, o que se ouve são objetos sonoros discretos como o borbulhar da água, o vazamento, as goteiras, os gemidos da criatura…

Todos esses ‘objetos’ são mixados nos canais frontais e surround de forma sutil, tanto é que os cinéfilos voltados ao visual podem deixar estes aspectos passarem desapercebidos. Os frequentadores mais auditivos devem entrar à sala de projeção já na intenção de escolher um assento que o posicione bem no centro da tela e das caixas surround para extrair o melhor da obra. O filme também foi indicado a melhor mixagem de som, trabalho realizado pelo trio Christian T. Cooke, Glen Gauthier e  Glen Gauthier.

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Outras indicações ao Oscar incluem melhor edição (Sidney Wolinsky), design de produção (Paul D. Austerberry, Shane Vieau e Jeffrey A. Melvin) e ainda melhor Figurino (Luis Sequeira). Tópicos não abordados pelo presente texto, mas que merecem a devida atenção dos cinéfilos a que interessar.

No mais, A Forma da Água é uma das produções indicadas a melhor filme que de fato preenche esta categoria, não ficando a sensação de que seria indevido. Entretanto, alguns frequentadores poderão achar o excesso de indicações um tanto quanto exagerado. O conjunto da obra é excelente, mas será que o suficiente para ser nomeado a 13 indicações ao Oscar? Para responder a esta indagação é necessário que o amante da 7ª arte vivencie a película e tire sua própria conclusão.

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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