Especial Berlim: Um novo olhar do Urso

Nesta segunda parte do especial você é convidado a entrar num olhar completo por dentro do Festival do Urso de Ouro em Berlim. Mais uma das viagens do crítico Xoel aqui no nosso site com exclusividade.


Nesta segunda parte do especial você é convidado a entrar num olhar completo por dentro do Festival do Urso de Ouro em Berlim. Mais uma das viagens do crítico Xoel aqui no nosso site com exclusividade.

Após a euforia dos dois primeiros dias na capital alemã, era a hora de arregaçar as mangas e entrar de cabeça no festival. As sessões variavam bastante de horários. Tinham filmes começando tanto 9 da manhã, como 11 da noite, tudo dependendo do dia da semana e do cinema.

Na verdade queria ver um 10 filmes, mas como não comprei pela internet, acabei conseguindo garantir somente 3 ingressos. O primeiro deles, era uma produção franco-americana chamada “Keep the Lights On”(“Deixe as luzes acesas”). Se tratava da história de um casal gay que vivia entre indas e vindas. Pra quem não tem preconceito é um filme interessante, nada mais. Se fosse um homem e uma mulher, seria mais uma história sobre um relacionamento conturbado, nada de espetacular. Ou seja, é um filme bom, mas que não traz nenhuma novidade para uma história de amor problemática. O grande diferencial é que o casal complicado que protagoniza a história é homossexual. Se hoje em dia filmes que apostam apenas no tema da homossexualidade para se sustentar já não causam tanto impacto, em breve produções que continuarem batendo o pé exclusivamente nesse tema podem acabar se tornando “carne de vaca”.
Vale notar que o filme foi exibido sem legendas para alemão.É perceptível que o festival entende que se o público não domina o Alemão ( o que é complicado para qualquer mortal) ele deve ter uma noção básica de inglês. Todas as seções que não eram em Alemão, ou tinham legendas no idioma ou simplesmente eram falados em inglês, portanto se um dia você pretende ver um festival de cinema internacional de perto, capriche no inglês ( acredite, perto do alemão é uma brincadeira de criança!)
O dia passou e era a vez de conhecer outro grande cinema do Festival, o segundo em importância da Berlinale o “Friedrichstadt-Palast“ . Lá também haviam premieres, entrevistas e coletivas, mas em menor porte em relação ao Palacete principal do festival. Não era um cinema propriamente dito, mas na verdade uma grande casa de espetáculos devidamente adaptada para o festival. E que adaptação! Tapete vermelho do lado de fora, iluminação maravilhosa e decoração interna de gala dava um real ar de palacete (“Palast” significa palácio) ao cinema. Era a hora de conferir o segundo filme que consegui garantir. Uma produção francesa que estava concorrendo às categorias principais ( mas acabou não levando nada para a terra de Napoleão) chamada “A moi seule”, que seria algo como “Estava só”.

Logo de cara já dava pra ver que o filme era menos pretensioso que o anterior e tinha um ritmo mais amarrado. Narrava o relacionamento entre um operário e uma garota que ele mantinha aprisionada e como ela, aos pouco ia se adaptando à sua realidade de prisioneira, justo numa fase confusa e de descobertas como a adolescência. Ao longo do filme a pergunta surgiu na minha cabeça “afinal é a história da garota austríaca Natascha Kampusch que ficou presa por quase uma década no porão da casa de um homem que havia a raptado. Mas nada no filme, nem nos créditos finais, confirmar a suspeita de fato não parecia ser a mesma história, mas no mínimo houve uma clara inspiração no caso austríaco.

O filme é bom, a trama é envolvente e bem amarrada e claramente ficamos curiosos e nos deixamos levar pela curiosidade de saber como tudo aconteceu com a menina raptada e como os fato se sucedem. Se por algum acaso sair no Brasil ou você tiver oportunidade, vale a pena.
No meu penúltimo dia na capital alemã, e consequentemente no festival, além de poder conhecer fragmentos do muro de Berlin e museus sobre a segunda guerra mundial, pude também conferir o meu último filme no festival, e que também acabou sendo o meu preferido. Mas aívai outra dica caso alguém que esteja lendo se aventura lá fora num festival de tal grandeza, lembre-se de chegar sempre cedo! Eu deixava para chegar “só” 5 ou 10 minutos antes e para achar um lugar vago era uma batalha! E pra piorar você tinha que disputar lugares vagos com vários outros atrasados. E o que era certo, é que nessa procura por lugares vagos, todos os perdidos sempre se deparavam com um lugar muito bom vazio, mas quando chegava perto, via a entristecedora placa “RESERVADO PARA A CRÍTICA” deixando mais claro ainda que para membros fora do jurí, como este humilde que vos escrever, devem chegar bem mais cedo que modestos 10 minutos antes do início da pellícula.

Mas voltando ao filme em si, se tratava de uma produção americana, francesa e alemã chamada “Sharqiya” que fazia sua estréia mundial no festival. Sim, o cinecinemania numa premierê internacional! Aos poucos indo onde poucos já estiveram…
O filme narrava a jornada de uma pequena família nômade nos desertos israelenses tentando se virar como podem para sobreviver e principalmente, para legalizar a moradia onde vivem, já que possuem um prazo para saírem dos casebres onde moram, mas não possuem a menor condição de pagarem o que supostamente devem e muito menos outro lugar para ir. É um filme pequeno e com o ritmo arrastadíssimo, mas muito interessante! Num estilo “Cidade de Deus”, os atores principais foram retirados das próprias comunidades nômades que passam pela mesmíssima situação contada pela película cotidianamente. Após a projeção, tivemos a oportunidade de conhecer a equipe e o ator principal do filme. O público foi bastante receptivo com eles, e vice-versa e numa dessas pudemos entender o que entende essa palavra, que não ficou claro se é Hebraico ou Árabe, “Sharqiya”. Segundo o ator principal significa algo como uma brisa leve ou refrescante.
Após alguns minutos nessa conversa entre equipe e público, em que a maioria das pergunta giraram em torno de detalhes da produção e da filmagem, tivemos que deixar o recinto para a próxima exibição que já estava encima da hora.

Acabando essa seção, acabou-se também a jornada do cinecinemania pela Berlinale. A quem deseja um dia ver de perto um festival de cinema, fora de terras tupiniquins, espero que encontre algumas dicas boas e principalmente incentivos, é uma experiência muito gratificante e pra quem gosta de cinema, recompensadora. Você se sente perto de grandes astros e produtores. Acabei não vendo muitas estrelas por lá, até porque fiquei pouco tempo, mas mesmo assim parecia que podia tropeçar num deles a qualquer instante!

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William Victor
Criador, desenvolvedor do Cine Cine Mania, apaixonado pela 7° arte. Adora papa de maizena, e você?

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