Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas


Longa tenta soar inovador, mas não passa de uma boa ideia executada de forma previsível e cansativa.

Está programado para chegar aos cinemas, nesta quinta, o novo filme do diretor Luc Besson, responsável por títulos como Lucy (2014) e O Quinto Elemento (1997). ‘Valerian e a Cidade dos Mil Planetas’ é a adaptação da graphic novel francesa criada por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, originalmente lançado em 1967, que também veio a receber o mesmo tratamento live action adaptado ao cinema, como é de costume nos dias atuais.

O longa é estrelado por Dane Dehaan como o Major Valerian e Cara Delevingne no papel de Lureline, parceira do nosso protagonista. Ainda no elenco, temos Clive Owen na pele do comandante Arun Filitt e Rihanna interpretando Bubble.  O roteiro fora adaptado às telonas pelo próprio diretor Luc Besson, baseado nas publicações originais.

A trama acontece em um futuro distante e distópico. A cidade ‘dos mil planetas’ é na verdade uma gigantesca megalópole espacial que, ao longo do tempo, foi recebendo ‘imigrantes’ de todos os tipos e que, no tempo em que o filme acontece, já soma incontáveis espécies vivendo juntas e compartilhando conhecimento. O Major Valerian é recrutado, junto com sua parceira Laureline, pelo comandante Arun Filitt para uma missão de recuperação de um artefato raro e valioso.

A partir desse ponto, a cidade dos mil planetas é atacada e nossos heróis vão descobrir que a verdade está ofuscada por pessoas que desejam enterrar uma terrível tragédia, cometida no passado, e que não podem confiar em ninguém além deles mesmos.

É com base nessa premissa que o espectador ingressa no universo criado por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières.

Muitas das avaliações que surgiram na mídia valorizaram a produção pelo quesito visual. De fato, estamos diante de uma série de eventos que se passam quase completamente em cenários criados em computação gráfica. Isso não significa que os efeitos convençam o espectador só porque eles ‘parecem’ bem feitos. No presente longa, o excesso de CGI não convence e chega até a ser incômodo em alguns momentos.

Não fosse apenas o cenário computadorizado, o diretor substitui os atores por CGI em alguns momentos de ação, o que os fazem ter movimentos ‘estranhos’ e correr de forma diferente, denunciando que são animações e não os atores de fato. Em outros momentos onde nenhum humano está presente, o longa é completamente computadorizado. A ideia que temos, é que alguém plugou o Playstation 4 na sala de projeção e deixou a abertura do jogo sendo exibida.

Falando em jogos, muitos das ‘missões’ que os agentes recebem durante o desenrolar dos fatos assemelham-se muito a games. A exemplo de uma perseguição por túneis cavernosos onde a visão em primeira pessoa do Valerian torna-se a do espectador, dando a impressão de que seu colega no assento ao lado está jogando e você sentou com ele para acompanhar.

Quando a atenção volta aos nossos heróis, e podemos acompanhar a atuação de perto, notamos logo de imediato que o Valerian é extremamente convencido. O personagem tem uma série de atitudes irritantes do início ao fim da trama. É como se ele tentasse incorporar o humor sarcástico de Han Solo, da série Star Wars, mas sem sucesso, e assim o público não consegue levar o protagonista a sério.

Laureline, por sua vez, é descrita na graphic novel como uma ‘rebelde’. Sim, ela tenta ser, mas obtém pouco sucesso no feito. Cara Delevingne nos entrega uma personagem que tenta, durante todo o longa, passar uma impressão de mulher forte, independente e de atitude. Entretanto, tais cenas são poucas comparado aos momentos mais machistas que protagoniza. A exemplo de usar figurino exageradamente aberto desnecessariamente, ter direito a um close up em seu traseiro, andar de uniforme militar de saia curta e ainda precisar ser salva por Valerian diversas vezes. A personagem que tinha tudo para demonstrar Girl Power teve seu brilho ofuscado e torna-se a típica parceira sexy do protagonista.

Mesmo assim, nenhuma atuação é tão deplorável quanto a de Rihanna. A cantora tem o pior papel do longa. Além de aparecer bem tardiamente no roteiro, Bubble não interfere em nada no desenrolar dos fatos e é retirada da tela precocemente. A cena de introdução da personagem é nada mais nada menos do que um POLE DANCE, em um bordel. Inacreditável!

Enquanto Bubble exibe seus dotes no pole dance para Valerian, o espectador tem a impressão de que o longa fez uma ‘pausa’ na trama e ingressou em um videoclipe da VEVO no YouTube. Apesar de bem executada, a sequência de Rihanna só existe no intuito de mostrar o corpo da cantora, que é apresentada na divulgação como um dos pontos fortes da produção, quando na verdade é mais uma girl power desperdiçada e unicamente sexy, para o prazer do personagem principal.

Por último, Clive Owen, que vive o comandante Arun Filitt é o único que consegue passar uma impressão de realmente ser quem é na tela. A boa performance do ator, entretanto, não é o suficiente para salvar a produção por completo.

Diante de todos esses elementos, é possível afirmar que ‘Valerian e a Cidade dos Mil Planetas’ tem uma boa premissa e soa épico e empolgante…no trailer. Na sessão propriamente dita, é cansativo (com 2 horas e 17 minutos de projeção) e cai em todos os clichês hollywoodianos possíveis imagináveis. CGI estilo videogame, personagens femininos em óticas machistas e protagonista convencido e irritante. É o que acontece com uma boa ideia, filtrada por lentes do mainstream que embala o cinema comercial.

Entretanto, se você busca vivenciar exatamente o que foi descrito nessa crítica, chances são altas de que o longa em análise irá lhe agradar.

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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