Crítica | Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma


Título Original: Star Wars: Episode I – The Phantom Menace

Ano: 1999

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Duração: 136 min. (2h16min.)

Classificação: Livre

Roteiro: George Lucas

Direção: George Lucas

Elenco: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Pernilla August, Ahmed Best, Ray Park

Acesse a página do filme no IMDB, clicando aqui.

 

Por Pedro M. Tobias

I have a bad feeling about this

 

Pouco mais de 20 anos após o lançamento de Guerra nas Estrelas, que somente ganhou o complemento “Episódio IV – Uma nova Esperança” após a estreia d’O Império Contra-Ataca, George Lucas volta à franquia para contar a saga de Anakin Skywalker (neste filme interpretado por Jake Lloyd) de escravo no remoto planeta de Tatooine a Lorde Sith.

Centrado até certo ponto no desenvolvimento político da trama, o filme acompanha o Mestre Jedi Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e seu padawan Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) na tentativa de negociar com a Federação do Comércio, que estabeleceu um embargo a Naboo, planeta governado pela Rainha Amidala (Natalie Portman). Enquanto lidam com essa crise política, os jedi acompanham a ascensão de uma força Sith personificada no Darth Sidious (Ian McDiarmid) e em seu pupilo Darth Maul (Ray Park).

Lançando mão de todos os artifícios de computação disponíveis para compor visualmente sua nova Trilogia, Lucas buscou abraçar todos os conceitos que de alguma forma foram apresentados na Trilogia Clássica. A intenção, apesar de pertinente, gerou um efeito de retcon na saga, o que foi amplamente criticado mesmo à época do lançamento. De forma resumida, continuidade retroativa, ou retcon (abreviação do inglês), é a alteração de fatos previamente estabelecidos na continuidade de uma obra ficcional. Como exemplo é possível citar a relação entre Obi-Wan Kenobi e o androide R2-D2, que é desenvolvida durante toda a Trilogia Prelúdio em detrimento do que ocorre em Uma nova Esperança.

Uma das mais fortes críticas ao filme diz respeito à infantilização da trama. Há uma certa incoerência entre todo o desenvolvimento dos temas políticos que levarão à ascensão do Império em substituição à República e o surgimento do garoto da profecia, aquele que traria equilíbrio à Força. O vigor que a politização traz ao filme (e à saga) no início do primeiro ato é ofuscada pelo excesso de um CGI artificial ancorado em uma paleta de cores esquizofrênica. Há então, logo após o primeiro set piece, um enorme parênteses focado no jovem Anakin (Jake Lloyd), inclusive com a inserção do conceito de midi-chlorians, uma tentativa de dar um caráter pseudo-científico à Força.

Impossível falar de A Ameaça Fantasma sem falar de um dos personagens mais odiados pelos fãs. Criado por Lucas como uma espécie de alívio cômico para a história, Jar Jar Binks (Ahmed Best) não só representa o ápice da infantilização do filme como é usado como um artifício de roteiro para mover a história a despeito de ser apenas um coadjuvante. Seu “jeito atrapalhado” serve até mesmo para equilibrar as chances na batalha pelo controle de Naboo, sendo sua presença na trama  justificada apenas neste sentido, como uma muleta de roteiro para Lucas.

O Design de Produção de Gavin Bocquet é talvez um dos grandes méritos do filme. A construção visual do Universo de Star Wars dá um salto impressionante de qualidade em relação aos filmes da Trilogia Clássica. Reforçam esse aspecto os figurinos exuberantes e ricos em cores de Trisha Biggar e a maquiagem de Paul Engelen. Infelizmente a apreciação desses elementos é prejudicada em parte pela direção de câmera e em parte pela montagem, que na ânsia de manter os já consagrados efeitos de transição de cena, acabou deixando-os cansativos.

Representando o esforço inventivo de George Lucas na expansão de seu universo criado no final da década de ’70 é impossível não reconhecer os méritos do filme. Contudo, isso não basta para sustentá-lo, e A Ameaça Fantasma acabou por ficar prejudicado tanto individualmente quanto dentro da Trilogia Clássica.

AVALIAÇÃO GERAL: 60% (REGULAR)

 

Confira os demais posts deste Especial:

Crítica | Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones
Crítica | Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith [EM BREVE]
Especial | Star Wars: Parte 1 – Trilogia Clássica
Especial | Star Wars: Parte 2 – Trilogia Prelúdio

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Pedro M. Tobias

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