Crítica | Sobrenatural: A Última Chave


A médium Elise Rainier ganha um filme para chamar de seu

Os novos nomes do gênero de terror continuam nos presenteando com bons filmes, que no futuro se tornarão novos clássicos. James Wan, do excelente Invocação do Mal, Oren Peli, criador de Atividade Paranormal e Leigh Whannell, mente por trás da franquia Jogos Mortais. E para começar o ano com um bom lançamento do gênero, estes três cineastas retornam às telas para nos entregar Sobrenatural: A Última Chave, onde Whannell assina como diretor, roteirista e ator.

O quarto episódio da bem-sucedida franquia nos remete ao passado da psíquica Elise Rainer (Lin Shaye), uma vez que recebe um pedido se socorro vindo de Gerald Rainier (Josh Steawrt), sob alegação de que a casa para qual mudou-se é assombrada por uma entidade. Porém, para surpresa de Elise e seus dois associados; Specs e Tucker (Leigh Whannell e Angus Sampson, respectivamente) a referida residência é a mesma em que Elise viveu durante a infância.

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Funcionando como uma pré-sequência que enriquece ainda mais o universo criado pelos outros filmes, o espectador é convidado a ingressar num mundo de muito suspense e sustos.

Apesar de alguns frequentadores queixarem-se de que os longas de terror atuais focam em espíritos e entidades do mal, resta comprovado com boas bilheterias que a temática atrai o público às salas de cinema. Aquela figura estampada por Jason Voorhees, nos anos 80, na série de filmes Sexta Feira 13 não mais assusta a nova geração. Jump Scares, entidades demoníacas e atmosfera melancólica ganham vida em Sobrenatural: A Última Chave, seguindo a mesma fórmula que tanto agrada aos fãs do gênero nos dias de hoje.

O diretor cria uma ambientação tensa constante, regado com alguns sustos capaz de fazer até o mais corajoso os espectadores saltar do assento. O cineasta brinca com a luz de cada cena e mergulha a plateia em uma penumbra que torna difícil enxergar as ameaças que surgem. Nos mesmos moldes dos títulos anteriores da franquia, somos levados de volta ao macabro ‘além’, plano espiritual escuro e esfumaçado, onde boa parte das cenas mais bizarras acontecem.

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Embasando todo este contexto, entra em cena o ótimo roteiro também escrito por Whannel, que desta vez não foca em uma família, mas nos remete ao passado da protagonista Elise. Mesclando drama com mistério, o longa consegue nos envolver em uma caçada por respostas constante. Elementos vistos nas cenas iniciais encaixam-se com momentos finais, fechando pontas soltas. Ainda, ao público são dadas respostas sobre o primeiro filme, de 2010 (dirigido pelo brilhante James Wan).

Além de providenciar boas respostas e encaixar-se perfeitamente entre os outros títulos da franquia, o roteiro preocupa-se em criar possibilidades para que a série continue e ramifique-se em possíveis lançamentos futuros.

No quesito performance, a já vista Lin Shayne é quem brilha em tela. Carismática e dócil, a atriz demonstra conforto na pele de Elise Rainier. Seus dois colegas, Specs – vivido pelo próprio diretor Leigh Whannell – e Tucker, interpretado por Angus Sampson, compõem o alívio cômico da trama, sendo responsáveis por ‘diminuir a tensão’ com piadas que não tiram o tom de seriedade da película.

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O espanhol Javier Botet, conhecido por interpretar as mais diversas criaturas em vários longas, incorpora a entidade KeyFace. O referido vilão revela-se aos poucos durante o desenrolar da trama e apresenta forma criativamente elaborada, possuindo chaves no lugar dos dedos. Outro destaque vai para Caitlin Gerard que interpreta Imogen Rainier. Seu personagem tem caráter crucial no desfecho da trama, porém, mais detalhes não serão entregues para evitar spoilers.

Fator ignorado por muitos frequentadores, mas que amplifica a experiência é a sonoridade do filme. A divisão dos objetos sonoros é extremamente precisa e bem trabalhada. O canal surround vai além de um mero eco e entrega falas e sons importantes da trama. Passos, batidas e até sussurros do além são distribuídos pela sala de projeção juntamente com os canais direito e esquerdos que nos indicam de onde a entidade ou assombração está escondida. Mesmo que alguns fechem os olhos, o impacto da auditivo da cena será sentido graças à excelente mixagem de som.

Podemos concluir que o título em análise é um lançamento muito bem-vindo ao universo da nova geração de terror criada pelos cineastas mencionados no início desta avaliação. Aos espectadores mais vintage, este não é, em hipótese alguma, um longa trash no estilo Sexta Feira 13, e mesmo que alguns reclamem da fórmula utilizada, esta é rentável e sim, muito assustadora. Especialmente quando executada com cuidado e respeito ao gênero.

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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