Crítica | Samba

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iz5nrl5HtgPJH (1)FICHA TÉCNICA:
Título Original: Samba
Ano: 2014
Estreia: 09/07/2015
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 120 min.
Roteiro: Eric Toledano, Olivier Nakache
Direção: Eric Toledano, Olivier Nakache
Elenco: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg,Tahar Rahim, Izïa Higelin
Distribuição: California Filmes

Por: Alyson Fonseca

O Drama aborda situação social dos emigrantes na França e é recheado com um elenco simpático e carismático.

Samba, é o primeiro longa dos diretores de Intocáveis (2011) ​​depois do fenômeno mundial que este representou: mais de 19 milhões de espectadores na França, mais de 1 milhão no Brasil. O filme foi uma das produções francesas mais aguardadas do ano de 2014 e estreia no Brasil, nesta quinta-feira (09).

Na trama, Samba Cissé (Omar Sy) é um imigrante senegalês que sonha fazer carreira como “chef” de cozinha. Contudo, apesar de viver em Paris há mais de dez anos, nunca conseguiu a autorização de residência de que tanto precisa para atingir os seus objetivos. Durante este tempo, foi sobrevivendo com pequenos trabalhos mal remunerados, tentando sempre regularizar a sua situação. Um dia, é apanhado pela polícia e encaminhado para o serviço de estrangeiros e fronteiras para ser deportado. É então que conhece Alice (Charlotte Gainsbourg), uma mulher que há anos luta contra uma depressão e que trabalha como voluntária numa organização de apoio a imigrantes ilegais. Apesar de saber que deveriam manter a distância para não se envolverem emocionalmente, Samba e Alice vão encontrar um no outro aquilo de que tanto necessitam para avançar com as suas vidas.

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Inspirado na obra Samba (Samba Pour la France), no Brasil, editado pelo selo Paralela da Editora Companhia das Letras, escrito por Delphine Coulin, o filme é uma comédia dramática que aborda a questão da imigração e xenofobia em contexto francês. O argumento e realização são da responsabilidade de Olivier Nakache e Eric Toledano, a dupla francesa responsável por Amigos Improváveis, filme que, em 2011, teve um sucesso retumbante junto do público de todo o mundo. O leitor pode apreciar um trecho do livro, clicando aqui.

O longa aborda as assimetrias sociais que dividem a maravilhosa cidade luz Paris. Os guetos dos imigrantes nos subúrbios à classe média/alta francesa são dois passos. Destas duas Paris opostas são trazidas também a história da vida comportamental representada por um imigrante senegalês (Sy) e de uma francesa a recuperar de um esgotamento funcional (Gainsbourg), que se encontram num mesmo caminho. É impressionante como os personagens do filme são simpáticos e carismáticos. Omar Sy, Charlotte Gaisbourg, Tahar Rahim e Izïa Higelin foram feitos sob medida para trabalharem nesta produção.

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O humor, se desenvolve bem ao longo do filme, no trágico cotidiano de Samba, eternamente clandestino, com várias identidades. Não é um humor despropositado e ridicularizado. É o humor possível e que funciona muito bem. Aquele que torna o amanhã possível de seguir. Este humor contagioso abordado no filme é a marca de Nakache e Toledano: o drama que faz rir, ou, alternando, uma comédia que leva às lágrimas.

Esse humor leve ganha mais espaço quando surge em cena o falso-brasileiro (quen assistir o filme vai entender) Wilson, que é interpretado por Tahar Rahim. O ator, assume aqui uma confortável posição de coadjuvante, colaborando no desenrolar da trama sem em nenhum momento distrair o foco dos protagonistas. O envolvimento dele com Manu (Izïa Higelin) é divertido e funciona como um bom respiro ao viés mais dramático e urgente que percebe-se na relação que se forma entre Samba e Alice. Estes são tão opostos quanto possível, mas ao mesmo tempo seus personagens são construídos com tantas camadas e particularidades que se torna bastante crível a atração que passam a sentir um pelo outro.

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Na trilha sonora assinada por Pascal Armant, um presente aos brasileiros. Há duas canções brasileiras bem colocadas na fita. Trata-se de Palco, de Gilberto Gil e Take it Easy My Brother Charles, de Jorge Ben. Além de algumas peças do compositor Ludovico Einaudi junto a fotografia da exuberante Pais, dá uma beleza a película. Um surpresa é a cena em que os personagens dançam em uma festa na ONG ao som de Waiting in Vain de Bob Marley e The Wailers complementam as canções apresentadas no filme.

Samba não é excelente como Intocáveis, mas é um bom filme e vale a ida ao cinema para que o público possa conhecer a outra face de Paris, a que não é exportada para o mundo por não ser símbolo do glamour da capital francesa.

AVALIAÇÃO GERAL: 89 % (ÓTIMO)

Trailer:

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