Crítica | Premonição 5

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NOTA: 7



Criar expectativa antes de assistir a qualquer filme é garantia de fracasso. Filmes com a única missão de entreter o público, seja com suas situações cômicas forçadas ou com seu vocabulário tosco, não podem ser encarados como um filme de Truffaut, ou Aronofsky por exemplo.Blockbusters existem por um único objetivo: divertir.
Premonição 5 (Final Destination 5) representa essa categoria com maestria. Um filme bem resolvido e muito divertido! Já nos primeiros minutos vemos Sam (Nicholas D’Agosto, ”Pelas garotas e pela glória”) e seus colegas de escritório partindo de ônibus para uma excursão. Assim como nos filmes anteriores, o personagem de Sam tem uma visão na qual todos os passageiros do ônibus morriam dessa vez numa assustadora ponte em obras. Chegando no local da premonição, a morte é enganada mais uma vez e 8 pessoas, incluindo Sam, se salvam. A morte, insatisfeita, volta para se vingar dos passageiros e concluir, assim, o ciclo mortal.

Quando digo que Premonição faz jus aos grandes blockbusters é porque a forma que a história é passada ao público segue o modelo dos filmes de sucesso do verão americano. Modelo que consiste em caprichar no visual e nos atributos técnicos, esquecendo a construção do roteiro e das relações dos personagens. Nesse quesito, o filme peca. A história é muito previsível e é possível entender quais serão as reviravoltas antes mesmo delas acontecerem. O grande trunfo desse roteiro previsível é a mudança de foco; não mais nas relações e na narrativa, mas no 3-D e nas mortes, que estão incrivelmente bem trabalhadas.
Se o roteiro é previsível do ponto de visto narrativo, as mortes dos personagens são todas criadas e inseridas num contexto tão crível que chega a assustar. São baseadas, na maioria das vezes, numa espécie de efeito borboleta, onde um prego solto aqui, pode causar uma cabeça estourada ali, e por aí vai. Cada morte é um show (de horror) a parte. Com isso, Premonição deixa de lado tudo aquilo que possa interferir nas ”boas” mortes e garante a diversão.

Claro, se tratando de blockbuster, algumas coisas são descartáveis. Uma das coisas é a trilha sonora gradativa, que ficou famosa em filmes desse gênero. Ela tenta criar uma atmosfera de tensão, como se dissesse: ”Você vai se assustar muito em breve, prepare-se”, mas só estraga o clímax das mortes, já que causa no espectador ansiedade em saber o que vai acontecer. Pode demorar muito até alguém ter tripas jogadas ao ar.
O elenco jovem é bom, mas está lá simplesmente esperando a morte se vingar. Eles garantem, sem grande brilho, o bom andar da história. A maior surpresa foi a atuação de Nicholas D’Agosto, interpretando Sam. Seu currículo não é dos melhores, e como todo ator mirim, começou em filmes de colegial. Um exemplo muito próximo é o da atriz Kirsten Dunst, que começou sua carreira no filme adolescente ”Apimentadas”, e hoje é premiada no festival de Cannes por uma atuação impecável no grande filme de Lars von Trier, Melancolia. O futuro é promissor para D’Agosto.

O final é tão clichê quanto a história do casal principal, mas é o melhor final clichê de 2011. Termina exatamente do jeito que queremos ver; frenético e empolgante! Vá sim ao cinema, e se surpreendacom um filme despretensioso e divertido.

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