Crítica | The Post: A Guerra Secreta


A fumaça do bom Oscar, será?

A medida que a premiação do Oscar se aproxima, títulos com diretores e atores premiados surgem repentinamente na esperança de levar a estatueta para casa. Após a premiação de Moonlight: Sob a Luz do Luar, do diretor Barry Jenkins em 2017 e Spotlight – Segredos Revelados, de Tom McCarthy ao Oscar de melhor filme, uma ‘receita’ parece ter sido criada para agradar a academia. Elenco de peso, direção de peso, história polêmica e intensa. É reunindo estes três elementos que THE POST: A GUERRA SECRETA, dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg e estrelado por ninguém menos que Maryl Streep e Tom Hanks aterrissa nos cinemas na próxima quinta, dia 25 de Janeiro entregando-nos nada menos que um dos maiores escândalos envolvendo o governo americano e liberdade de imprensa nos Estados Unidos.

O longa retrata o real escândalo que ocorreu durante a guerra do Vietnam onde o governo americano deliberadamente mentia ao povo acerca das conquistas e perdas da batalha. Então o analista militar Daniel Ellsberg (Matthew Rhys) subtrai documentos ultra secretos e posteriormente os disponibiliza ao The New York Times, onde são publicados e proibidos de o fazer novamente, sob ordem de uma liminar emitida por um juiz. Kay Graham (Maryl Streep) e Ben Bradlee (Tom Hanks), dona e editor chefe do The Washington Post, respectivamente, acabam por ter acesso a tais documentos e precisam decidir se vão descumprir a ordem imposta ao seu concorrente ou fazer valer o direito de expressão e liberdade de imprensa.

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O presente título tem todos os elementos que poderão render um bom Globo de Ouro ou Oscar. Entretanto, até a publicação da presente avaliação, a produção ainda não havia recebido nem o primeiro ou nomeado ao segundo. Focando na análise da obra;

Em questão de direção, Spielberg o faz com maestria. A fotografia da película é muito bem trabalhada, com respeito à cinematografia de arte. O jogo de câmeras também é cautelosamente desenvolvido, sendo arquitetado de forma a deixar cada situação ainda mais eficaz, em questão de dramaturgia. Takes ininterruptos que descem do plano superior e segue o personagem por diversos ambientes, sem cortes, será notado e apreciado pelos cinéfilos mais atentos, assim como handycams que seguem os artistas pelos ambientes internos da redação do jornal.

O roteiro, assinado por Liz Hannah e Josh Singer, assume um passo lento. Como há diversas problemáticas sendo exploradas ao mesmo tempo e muitos personagens coadjuvantes, a dupla dá atenção a cada um deles, mas sempre apontando os holofotes para Streep e Hanks. A primeira parte do longa já define o tom e o passo da narrativa, seguido pelo desenvolvimento que leva ao clímax. Essas ‘fases’ ficam muito claras ao espectador e justifica o tempo adotado. O único contratempo é que durante as duas partes iniciais, o espectador pode sentir-se perdido ou até mesmo entediado, uma vez que tudo é arquitetado para acontecer  no grand finale.

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Em tratando-se de performance, estamos diante de duas superestrelas. Maryl Streep é vencedora de 3 Oscars, 167 prêmios e já foi indicada 350 vezes. Uma escolha acertada para um título que deseja uma premiação. Sua personagem é Kay Graham, dona do jornal The Washington Post. Uma mulher firme e a frente do seu tempo, em época em que as mulheres não tinham voz perante a sociedade. Uma atriz forte, para uma personagem forte. Não precisa dizer que cai como uma luva. Tom Hanks, por vez, completa a dupla vivento o estressado Ben Bradlee. O papel é explorado com firmeza e muita naturalidade, digno de um ator como Hanks.

A mixagem de som não é ponto alto do título, uma vez que assume uma postura mais ‘teatral’. Grande parte da faixa de áudio é reproduzida pelo canal central – responsável pelos diálogos – enquanto que os outros canais ambientam os cenários com os sons ao redor. Não é uma produção auditiva, mas sim visual e de entrelinhas.

No mais, THE POST: A GUERRA SECRETA é um bom filme, que chamará o público mais pelos nomes de peso que o criaram, do que pela narrativa ou enredo. É claramente uma tentativa de reprisar a fórmula bem-sucedida na esperança de emplacar alguma(s) estatueta(s).

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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