Crítica | Pai em Dose Dupla 2


Comédia natalina reprisa fórmula de seu antecessor em tentativa de emplacar o mesmo sucesso

Estamos aproximando-se da época natalina e as produções repletas de neve já começam a dar as caras no cinema. É com essa temática que Pai Em Dose Dupla 2 (Daddy’s Home 2), do diretor Sean Anders (de Família do Bagulho), promete arrancar boas gargalhadas da plateia que, aos poucos, entra no espírito de natal.

Para quem assistiu ao primeiro título, em 2015, irá notar que a premissa é IDÊNTICA ao do presente lançamento. Brad (Will Ferrel) e o rebelde Dusty (Mark Wahlberg) finalmente convivem pacificamente dividindo a criação de seus filhos Dylan (Owen Vaccaro), Megan (Scarlet Estevez) e a sua afilhada Adrianna (Didi Costine). Porém, com a aproximação do natal, os dois paizões recebem a visita de seus próprios pais; o durão Kurt (Mel Gibson) e o desajeitado Don (John Lithgow) para passar os festejos de fim de ano em uma grande reunião de família.

Não precisa ser um expert no assunto para imaginar o que pode dar errado ao reunir pessoas tão distintas em uma película de comédia.

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À primeira vista, o espectador é apresentado gradualmente a cada personagem. A dupla Brad e Dusty trabalham bem juntos e demonstram boa química logo nas cenas iniciais. O diretor Sean Anders reprisa o paço e estilo de filmagem já vislumbrado na produção anterior neste segundo título. Como também assina o roteiro, é possível afirmar que é inteiramente responsável pela cinematografia e pelo conteúdo vislumbrado na tela.

Em se tratando de roteiro, a projeção inicia-se com objetivos claros e um cenário catastrófico já armado (o retorno do vovô rebelde e do vovô tradicional), porém se perde completamente uma vez que o castelo de cartas começa a desmoronar. Nomes, rostos e discussões sem pé nem cabeça inundam a tela e dominam os diálogos a ponto de não sabermos quem é quem ou qual o propósito de tanta briga.

O elenco, apesar de contar com nomes de peso, restringe-se à natureza da produção, isto é, vivem personagens vazios e previsíveis que falham em emocionar ou convencer. Mel Gibson é um exemplo de talento desperdiçado, por exemplo. O ator-diretor-produtor responsável por longas como Até o Último Homem (2016), Coração Valente (1995) e Máquina Mortífera (1987) é enjaulado em um protagonista cujo propósito é unicamente plantar a discórdia e posar de ‘machão’. Nada mais. Um ator muito grande, para um papel muito pequeno.

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Brad e Dusty (Will Ferrel e Mark Wahlberg, respectivamente) conseguem se adaptar aos papéis que já foram vividos antes sem parecerem deslocados, como Gibson. A dupla de pais consegue passar algum nível de realismo à plateia, especialmente Will Ferrel, que vive uma versão exagerada do homem-médio-pai-de-família.

Ainda no elenco, John Lithgow também convence como o vovô conservador. Existe um tom de espontaneidade no intérprete e que pode ser sentido também. As mulheres da película, entretanto não podem dizer o mesmo. Linda Cardellini volta ao papel da mãe-de-família Sara e Alessandra Ambrosio como Karen, a esposa-troféu de Dusty. As moças não emplacam nenhum diálogo inteligente ou que altere os rumos da trama de qualquer forma. São como meras coadjuvantes o tempo todo.

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As crianças se destacam bastante, especialmente Didi Costine como Adrianna, a filha rebelde. A mocinha procura exalar girl power ao confrontar os adultos porém, sua expansão é cortada pelo roteiro que a encarrega de segurar um smartphone por quase todos os 100 minutos de projeção.

Scarlett Estevez, a Megan, também tenta fazer bonito ao encenar uma sequência onde confronta Kurt (Gibson) após o vovô afirmar que ‘lugar de mulher é na cozinha’. Ponto positivo para a demonstração de igualdade, apesar de que abordado de forma cômica, o que não tinha como ser diferente ora se trata de um título humorístico.  Por fim, Owen Vaccaro, o Dylan, é o tímido jovem que necessita desesperadamente de um role model masculino, mas a confusão armada na família pelo excesso de ‘pais’ deixa o jovem ainda mais em conflito.

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Há momentos em que o longa acerta em cheio, como mencionado anteriormente, mas erra muito, em outros. O primeiro, refere-se a boas sacadas e críticas sociais feitas, como a irresponsabilidade de alguns pais e mães em gerar crianças e não fornecer a elas o devido cuidado. O segundo ponto, que infelizmente é maior, aborda piadas excepcionalmente machistas e um enredo pobre e confuso. Conforme mencionado em linhas anteriores, o longa se perde em meio a brigas, nomes e dilemas mal explorados envoltos por excesso de gozações de mal gosto.

Vergonha alheia é um sentimento constante na obra, afinal, ao invés de construir um roteiro sólido e com humor inteligente, acaba caindo na trágica fórmula da família desajeitada americana que só chegou às telonas para aproveitar-se da época natalina e nos bombardear com clichês dos besteiróis oriundo da terra do Tio San.

Ao término da sessão, além de confusos, saímos com a sensação de que vimos mais do mesmo e que a obra vislumbrada será rapidamente esquecida. Aos que são fãs deste tipo de produção, podem assistir sem medo. No entanto, àqueles que buscam comédias elaboradas e que repousam em humor satírico e elaborado, este não é a projeção que vocês estão buscando.

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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