Crítica | Os Parças


Youtuber e comediantes lançam no cinema material digno de internet.

Nos últimos tempos, uma crescente leva de filmes nacionais têm invadido as salas de cinema de todo o país. Felizmente fomos presenteados com alguns ótimos títulos como Polícia Federal – A Lei é Para Todos, Bingo: O Rei das Manhãs e Real – O Plano Por Trás da História. Entretanto, nem sempre damos sorte e acabamos tombando com o deplorável Dona Flor e Seus dois Maridos. Dessa vez, o diretor cearense Halder Gomes (de Shaolin do Sertão) nos traz Tom Cavalcanti estrelando Os Parças, comédia que pode tanto agregar valor ao cenário brasileiro ou ajudar a afundar a reputação do país ainda mais.

A premissa é muito simples, Mário (Oscar Magrini) e Romeu (Bruno de Luca) são donos de uma agência de casamentos no centro de São Paulo. Após prometerem uma festa impossível à Cintia (Paloma Bernardi), filha do mafioso Vacário (Taumaturgo Ferreira), a dupla une-se aos muambeiros Ray Van (Whindersson Nunes), Pirôla (Tirullipa) e ao locutor de uma loja da 25 de março, Toinho (Tom Cavalcante), para desenrolar a empreitada.

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Com base nessa premissa, o público é convidado a prestigiar comediantes, youtuber, um diretor com experiência em longas de comédia e até mesmo algumas participações especiais, como a do jogador de futebol Neymar.

À primeira vista, a produção tem tudo para ser uma boa ida ao cinema. Quem dera fosse. Minutos após os créditos iniciais que mostra a grande São Paulo em detalhes embalado por uma trilha de hip hop, o público descobre que o que está diante de seus olhos não passa de um filme pobre, mal construído e que nos brinda com pseudo atores que nunca deveriam ter saído do youtube, do programa da TV, da novela ou dos palcos de show de forró.

Apesar do diretor Halder Gomes ter histórico com longas de comédia, o presente título é muito mal construído, dando a impressão de estarmos assistindo a um quadro do Show do Tom ou Pânico na TV. As cenas a céu aberto, na famosa Avenida 25 de março são repetitivas e filmadas de qualquer ângulo, sem se importar com o mínimo de fotografia. Correria e gritaria sem finalidade são as poucas performances que o público verá no famoso camelódromo paulista.

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Para agravar ainda mais o quesito cinematografia, o machismo é presente em (quase) todas as cenas que incluam alguma mulher. Paloma Bernardi é abordada pelos mais diversos ângulos que favoreçam o público masculino, além de câmeras lentas e nudez desnecessária agasalhados por piadas assediadoras. Nenhuma mulher do elenco escapa dos comentários maldosos, inclusive, dão em cima dos personagens principais a todo momento, evidenciando que foram incluídas na obra unicamente por seus dotes físicos, nada mais.

Integrando o elenco, não são vistos atores de carreira, mas sim, comediantes, youtubers e celebridades. Talvez na internet, a fórmula funcione, mas não na grandiosidade de uma obra cinematográfica. No mais, tudo não passa de um stand up comedy sem graça. O erro de Os Parças é acreditar que o cinema poderia igualar-se a um canal de youtube.

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Tom Cavalcanti incorpora o vergonhoso Toinho e dentre as falas do personagem cabe chamar os outros de corno e imitar vozes de outras pessoas. Não há desenvolvimento algum e as situações das quais participam são tão constrangedoras para quem assiste, que somos obrigados a desolhar da tela por alguns instantes para digerir a vergonha alheia sentida.

Nunca pode-se imaginar que algo é tão ruim que não possa piorar. Pirôla é interpretado por Tirulipa, sendo de longe a mais deplorável atuação do longa. Seu personagem é ele mesmo, já que não há qualquer esforço para soar como alguém novo, ao invés, o público que já viu algum vídeo deste ‘fenomenal’ comediante online terá uma bela surpresa ao ver a mesma coisa, ipsis litteris, na tela do cinema.

Terminando de compor a trindade de horrores, temos Ray Van, vivido por Whindersson Nunes. Esbanjando uma atuação forçada o youtuber também reprisa as mesmas caras e bocas que diverte adolescentes fãs do influencer na internet. Todos que participam da rede social de vídeos e desejam alcançar a fama devem pintar o cabelo, gritar, chamar palavrões e gravar vídeos ‘polêmicos’ com a temáticas tipo invadiram minha casasó que não. A atuação de Nunes assemelha-se a um vídeo do Porta dos Fundos ou Parafernalha.

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Quanto à mixagem de som, esta é praticamente inexistente. O que temos são trilhas bobas que utilizam-se de efeitos sonoros igualmente bobos como o que Fred Flintstone faz ao correr. Compondo as músicas da película, estão a descartável ‘Ta Gostando, Tá?’ de Tirullipa (que surpresa!), o sertanejo brega ‘Virando o Copinho’ de Rafa & Pipo Marques e até mesmo Wesley Safadão com ‘Aquele 1%’. Clichê total, a trilha sonora só animará àqueles que curtem ouvir um pancadão.

No mais, o restante da produção que por ventura tenha ficado de fora desta avaliação continuará não mencionado, afinal, não compensa se estender mais. A recomendação que fica aos curiosos é aguardar o filme chegar ao youtube, já que é onde ele pertence.

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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