Crítica | O Rei do Show


Um espetáculo de encantar os ouvidos

Está chegando aos cinemas de todo o país hoje, o novíssimo longa musical intitulado O Rei do Show, dirigido por Michael Gracey, em sua primeira obra como diretor e estrelado por ninguém menos que Hugh Jackman na pele de P.T. Barnum – que foi um showman americano – um homem movido por sua criatividade, que criou um dos maiores espetáculos já vistos do século retrasado. Repleto de magia visual e músicas que encantam, a presente película tem sabor de Oscar!

Baseado em fatos reais, a trama gira em torno do já mencionado P.T. Barnum (Jackman), um homem sonhador que veio do nada. Casado com Charity Barnum (Michelle Williams) e pai de duas filhas; Caroline e Helen Barnum (Austyn Johnson e Cameron Seely, respectivamente), adquire um museu depois de investir uma enorme quantidade de dinheiro nele, porém, poucas pessoas o frequentam e o lucro não é suficiente. A partir de uma sugestão de suas filhas, Barnum decide ‘dar mais vida’ ao seu museu e passa a recrutar as pessoas mais ‘bizarras’ que pode para montar um espetáculo.

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Dentre eles, podemos ver personagens icônicos da cultura popular, a exemplo da Mulher Barbada – Lettie Lutz – vivida por Keala Settle (de Ricki and The Flash: De Volta Para Casa), o anão Tom Thumb (Sam Humphrey, em seu primeiro longa) e a impressionante Zendaya (de Homem Aranha: De Volta ao Lar) na pele da trapezista Anne Wheeler.

Fora da seara das pessoas diferentes, também integram o elenco Zac Efron como o sócio de Barnum; Phillip Carlyle e a talentosa Rebecca Ferguson dando vida à cantora Jenny Lind.

É seguro afirmar, sem pestanejar, que este é um dos maiores lançamentos de 2017. É um filme grandioso, gracioso e emocionante. Um convite àqueles que mantém opiniões negativas acerca de musicais. O diretor Michael Gracey constrói uma narrativa que transita por cenas cantadas e faladas de forma que não satura a audiência. A trama é gradativamente apresentada e todas os takes e cenas orquestradas cronologicamente.

O roteiro, escrito pela dupla Jenny Bicks (de Rio 2) e Bill Condon (de Chicago), edifica todo o cenário e personagens dando a devida atenção aos dramas pessoais e construindo seus dilemas quase que uniformemente. Não há ninguém que fique de fora ou mal retratado. Apesar de P.T. Barnum ser o eixo principal da trama, romances paralelos, decepções e desilusões são abordados e distribuídos a cada personagem, na medida de suas complexidades. É possível afirmar que você está diante de um roteiro equilibrado, em todos os sentidos.

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Claro que as palavras escritas no roteiro seriam sem sentido caso não fosse tão bem retratado em tela pela talentosíssimo grupo de artistas que compõem a obra. Hugh Jackman dá um show visual e vocal, interpretando um personagem de múltiplas camadas que impressiona com sua voz grave e afinadíssima. Zac Efron distancia-se daquela imagem deixada pelo ator em produções pretéritas e também impressiona o publico ao assumir o papel principal do longa, em momentos nos quais Jackman não está presente e o faz com excelência.

É preciso enaltecer o que torna esta película tão especial: a sua música. Diferentemente de musicais mais ‘clássicos’, aqui são apresentadas ao cinéfilo, composições mais ‘pop’ que utilizam-se de batidas eletrônicas, sintetizadores e refrões um tanto pegajosos, com mensagens de ambição, sonhos e acima de tudo amor à vida e como ela pode ser melhor quando se dá um banho de criatividade ao nosso dia-dia.

A palavra certa que pode descrever as músicas aqui interpretadas é ‘inspiradora’. Afinal, em uma produção cuja estória é contada, em parte, pela música, tem grande responsabilidade em proporcionar algo mágico que acompanhe o frequentador após a sessão de cinema terminar. Na obra em análise, é exatamente o que acontece; conforme os temas principais são reprisados, os mais atentos já terão memorizado as frases que compõe as estrofes e se pegará cantando baixinho nos momentos finais do filme.

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A mixagem de som abusa dos 7.1 canais de áudio da sala de cinema. Os vocais do coral presente em diversas faixas preenchem os canais surround, a batida forte dos tambores e percussões dividem-se nos canais estéreo frontais, as batidas eletrônicas com extensão de graves entregam aos subwoofers um duro trabalho em reproduzir toda essa harmonia e frequências que descem até 40Hz. Uma sala de cinema mal calibrada deixará muito conteúdo auditivo de fora dessa experiência. E claro, os vocais inundam o canal central completamente. Um espetáculo auditivo, um must-hear em todos os sentidos.

Todo esse ‘vapor’ sonoro que vem de trás da tela fica completo ao combinar com todo encanto visual o qual embasa. Apesar de não ser apresentado em 3D, o que seria totalmente desnecessário, a obra é realmente um show. O figurino dos dançarinos e personagens tem um tom teatral acentuado e brilhoso. Destaque para as cenas com a trapezista Anne Wheeler (Zendaya) que surpreende pela delicadeza e cores empregadas. Tudo aparenta ser muito bonito justamente pela riqueza de detalhes e perfeccionismo.

O Rei do Show pode ser descrito simplesmente como ‘emocionante’. É um longa que mexe com uma vasta gama de sentimentos. Do rizo à tristeza, tem de tudo. Juntamente com o live action de A Bela e a Fera, lançado este ano, pode ser tido como um dos melhores musicais da atualidade desde Moulin Rouge: Amor em Vermelho, de 2001.

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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