Crítica | O Pequeno Príncipe


Título Original: The Little Prince

Ano: 2015

Gênero: Animação, Fantasia

Duração: 108 min. (1h48min.)

Classificação: Livre

Roteiro: Irena Brignull, Bob Persichetti

Direção: Mark Osborne

Elenco: Rachel McAdams, Paul Rudd, James Franco, Marion Cotillard, Jeff Bridges, Mackenzye Fox, Benicio Del Toro, Paul Giamatti, Ricky Gervais, Albert Brooks, Bud Cort, Riley Osborne

Acesse o site oficial do filme, clicando aqui.

 

Por Pedro M. Tobias

“Mas, com certeza, para nós, que compreendemos o significado da vida, os números não têm tanta importância”

 

Transpor para os cinemas uma obra literária nunca é tarefa fácil. Mesmo as melhores e mais fieis adaptações costumam receber fortes críticas. Outrossim, quando o material original trata-se de um dos livros mais traduzidos e cultuados de todos os tempos, a incumbência de levá-lo às telonas se torna ainda mais árdua.

Felizmente, O Pequeno Príncipe não só funciona como uma excelente adaptação cinematográfica, como vai além e nos entrega uma história extremamente emocionante, tanto do ponto de vista da adaptação (SIM, todas aquelas frases e trechos marcantes do livro estão lá!) quanto do argumento original adicionado de forma brilhante ao roteiro.

O filme acompanha uma Pequena Garota (Mackenzie Foy) que, por conta das obrigações de estudo impostas pela Mãe (Rachel McAdams), que acredita que ela precisa seguir regras e cronometrar todo o tempo de sua vida, quase não tem infância. A vida dela muda ao conhecer O Aviador (Jeff Bridges), que a apresenta a um mundo extraordinário, no qual tudo é possível. Um mundo ao qual ele mesmo foi apresentado há muito tempo pelo Pequeno Príncipe (Paul Rudd/Riley Osborne). A partir daí começa a mágica e emocionante jornada da Pequena Garota pelo universo d’O Pequeno Príncipe.

Conforme já mencionado anteriormente, o roteiro do filme não se prende apenas aos acontecimentos do livro. A inclusão de novos personagens bem como a ampliação da trama original, além de atualizar as questões poéticas e filosóficas da obra de Saint-Exupery, funcionam como catalisador para uma forte crítica ao modo de vida contemporâneo.

Outra excelente escolha artística foi a de utilizar duas técnicas diferentes de animação. Toda a história diretamente derivada do livro é contada em stop-motion, enquanto o segmento inédito da Pequena Garota é animado em 3D. Tal decisão impacta tanto pela disparidade visual na montagem das duas plots, quanto pela própria forma como cada uma delas foi concebida pela dupla Celine Desrumaux e Lou Romano, responsáveis pela Direção de Arte do filme.

A forma como a personagem da Mãe (bem como a maioria dos personagens adultos) é apresentada já denota de forma concisa a definição que temos hodiernamente de sucesso e felicidade. O paralelo é claro em relação a uma das mais marcantes frases do livro – “O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração“. Aquilo que realmente nos é caro não consegue ser mensurado, tabulado.

É interessante observar como todo esse “universo adulto” é representado através de tons de cinza monocromáticos e do mecanicismo apático no modo de agir dos personagens retratado principalmente através do uso de plongées. O Diretor Mark Osborne (“Dropping Out“, “Kung Fu Panda“) merece todos os créditos por esses e outros tantos insights percebidos ao longo do filme que, apesar de sutis, ajudam a dar o tom mais dramático à obra.

O principal e talvez único demérito desta belíssima animação é o terceiro ato, que quebra um pouco o ritmo da trama, podendo entediar principalmente o espectador infantil. Essa falha, contudo, não incomoda tanto à luz do desfecho do filme, pois parece ter sido especialmente inserida para majorar a mensagem final.

Com uma estética profundamente emocionante e dramática,  O Pequeno Príncipe, apesar de trazer à discussão um tema particularmente adulto, encanta pela sutileza com que o desenvolve. A trilha sonora, assinada por Richard Harvey (“King Naresuan 4“, “Curse of the Phoenix“) e Hans Zimmer (“Intersetelar“, “Chappie“), apesar de não se destacar em relação à trama em nenhum momento, ajuda a criar o tom melancólico, especialmente da cena final. Enfim, o filme vale muito a pena ser visto por todos os públicos e promete agradar ainda mais aqueles que cresceram lendo (e relendo) o famoso conto de Saint-Exupery.

AVALIAÇÃO GERAL: 90% (EXCELENTE)

 

Assista ao trailer:

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Pedro M. Tobias

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