Crítica | O Círculo


Privacidade é coisa do passado.

Redes sociais, conectividade, mensagens no Whats App, mural, fotos de amigos, marcações de postagens, e-mails pendentes, aplicativos… Nossa! Podemos não notar, porém nossas vidas estão estampadas online e disponíveis para pessoas que nem mesmo conhecemos. Até que ponto a tecnologia é benéfica, facilitando nossa vida? E quais as implicações que nossa exposição no universo digital pode acarretar em nossas vidas? Questões como essas e ritmo de vida frenético compartilhado na rede são abordadas na nova produção estrelada por Emma Watson e Tom Hanks baseada no livro homônimo, O Circulo, que chega às salas de cinema brasileiras no próximo dia 22 de junho.

Mae (Emma Watson, de A Bela e a Fera) é uma moça que vive e trabalha no interior. Seu emprego, atendente de call center, é tudo menos animador. Quando surge a oportunidade de trabalho na maior e mais poderosa empresa de tecnologia e rede social do mundo – O Círculo –  ela aceita imediatamente. Indicada por sua colega Annie (Karen Gillan, de Guardiões da Galáxia), Mae depara-se com um ambiente de trabalho moderno, high tech, frenético, incrivelmente dinâmico e onde privacidade é quase inexistente.

A medida que nossa protagonista ascende de posição na gigante tecnológica, vem a conhecer o misterioso Bailey (Tom Hanks, de Inferno), livremente inspirado em Steve Jobs, ex CEO da Apple. Idolatrado por todos que trabalham na corporação, e trajando calça jeans e camisa preta, o personagem de Tom Hanks anuncia os novos produtos e inovações a um enorme público que o aplaude fervorosamente. Sempre.

A trama toma rumos maiores no momento em que Mae aceita participar de um experimento que envolve total transparência à comunidade online, tendo sua vida observada e transmitida 24 horas para todos. Suas escolhas eventualmente levarão a consequências que afetam toda sua família e amigos íntimos.

Baseando-se nessa premissa, somos convidados a adentrar um futuro próximo onde tudo e todos estão conectados e privacidade é algo inexistente. Pode parecer absurdo, mas algumas pessoas já vivem desse jeito, senão, quase.

À primeira vista, o ambiente onde funciona a gigantesca empresa que dá nome ao filme é completamente baseada no Apple Campus, localizado na Califórnia, onde diversos prédios são organizados ao redor de um parque abriga as atividades da multinacional. No longa, temos o mesmo cenário servindo como QG do Círculo. Somado ao ambiente físico,  o ambiente virtual é composto por uma única conta de usuário que abriga tudo que é necessário para total experiência online, chama-se True You, similar ao Google Account e ao Microsoft Account.

É notável o cuidado que os produtores tiveram em criar um ambiente quase idêntico ao que temos em nossas vidas, claro que somado de muita ficção, porém, não improvável.

Bom, uma vez contratada Mae trabalha com quatro telas de computador e é constantemente incentivada por seus colegas de trabalho a compartilhar sua vida na rede social. Vencida pelo cansaço, o que inicialmente era animador e desconhecido para a inocente Mae, vem a tornar-se uma verdadeira dor de cabeça no futuro.

O elenco fora muito bem escolhido para os papéis, já que Tom Hanks encarna com naturalidade e maestria a figura do CEO moderno. Apesar de sabermos pouco do passado de Bailey, o magnata é entusiasmado e carismático, porém, mantendo uma sala secreta onde não há nenhum vestígio de tecnologia. Livros físicos e antigos habitam o lugar e na mesa, uma máquina de escrever nos remete aos anos 20. Não faz sentido, vindo do personagem que comanda a companhia.

A amiga de Mae, que a indicou para o trabalho, Annie, é uma jovem frenética que vive no limite de um ataque cardíaco, viajando de país a país em questão de horas e dormindo no voo de cidade a cidade. Ela estampa muitos dos empregos atuais em lugares como a empresa fictícia. Não demora muito até que a jovem demonstre sinais de fadiga e depressão.

Ainda no campus do Círculo, conhecemos o misterioso Ty (John Boyega, de Star Wars: O Despertar da Força), jovem que parece viver à margem de tudo que acontece e prefere não se ‘misturar’, como se vivendo no anonimato.

Por último, mas não menos importantes, os pais de Mae e seu amigo de infância Mercer (Ellar Coltrane, de Boyhood: Da infância à Juventude) são os maiores prejudicados pela vida ativa de Mae, e vivem o drama que muitas famílias cujos filhos adolescentes que expõem-se demais online são submetidos.

Apesar de todos os elementos ideais para um super filme, a produção peca no roteiro. Talvez por se tratar de uma adaptação literária, onde a narrativa é mais lenta e gradual. O desdobramento dos eventos é rápido demais, não dando tempo do espectador seque se acostumar com as situações apresentadas. Até metade da projeção, o ritmo é firme, porém, passando disso, tudo acontece muito rápido, rumos inusitados são tomados e a personalidade de Mae muda de uma menina novata no emprego, até uma posição importante e cobiçada na companhia.

Mesmo confuso do meio para o fim, a obra em análise consegue nos passar uma visão que muitas vezes não temos, de nós mesmos. Ao pensarmos como louco é não ter privacidade no nível da história fictícia em tela, paramos e notamos que algumas pessoas já vivem assim, fazendo de suas vidas um próprio reality show. Nesse ponto é onde O Círculo triunfa.

Por fim, estamos diante de um bom drama/thriller que diverte e prende nossa atenção, mas deixa a desejar na organização e velocidade em que os eventos acontecem. No mais, é uma boa reflexão à vida conectada e às implicações que o excesso de exposição pode nos levar.

Avaliação: 75% – Diverte, mas não impacta.

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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