Crítica | Mulher Maravilha

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Por Thiago Schumacher

Mulher Maravilha chega aos cinemas em sua melhor forma e momento

É comum nos dias atuais percebermos que as salas de cinema estão infestadas de filmes de super-heróis, todos com determinados clichês e intermináveis ‘universos’ que colidem. A tão criticada DC parecia não ter acertado a receita do bolo até então, sendo arduamente criticada por Batman VS Superman: A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida. Entretanto, é com o novíssimo e tão aguardado filme ‘Mulher Maravilha’, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta, dia 1 de junho, que o estúdio faz suas apostas para mudar o cenário amplamente dominado pela Marvel.

Mulher Maravilha é dirigido por Patty Jenkins, conhecida pelo filme ‘Exposed’ lançado apenas na TV e estrelado por Gal Gadot (Gisele, de Velozes e Furiosos 7). Desde o anúncio da escolha da atriz, muito tem-se comentado online. Alguns usuários chegaram a criticar o físico da atriz, enquanto outros acusaram o figurino de ser muito exposto e chamativo. Verdade seja dita, o que vemos em tela é um perfeito equilíbrio dos dois mundos. Entrarei nestes detalhes nos parágrafos seguintes.

A trama nos apresenta a ilha de Temyscira, paraíso criado por Zeus, governada pela Rainha Hippolyta (Connie Nielsen, mais conhecida pela atuação em ‘Gladiador’), e habitada pelas Amazonas, que são treinadas pela irmã da governanta, Genetal Antíope (Robin Wright, de ‘Evereste’). As Amazonas vivem uma vida pacífica, porém com duros treinamentos de batalha. Desde jovem, Diana – filha de Hippolyta – deseja ser treinada para combater Aris, o deus da guerra, responsável por todos os conflitos que assolam o mundo dos homens.

Tudo muda a partir do momento que o avião de Steve Trevor (Chris Pine, de Star Trek) cai na praia da ilha, enquanto é perseguido por tropas alemãs da grande guerra.  Diana decide cumprir seu dever de Amazona e junta-se a Trevor, para que ele a leve até o deus da guerra.

Baseado nessa premissa, temos uma eletrizante aventura ambientada em um cenário de grande guerra. Nossos personagens são cativantes e aprofundados até certo ponto, dentro do possível e nos presenteiam com boas performances.

Diana Prince, como é chamada por Trevor perante membros da sociedade da época, é claramente uma mulher muito a frente do seu tempo. Sua inocência diante de assuntos complexos como política e estratégia de guerra e machismo forte, trazem à superfície os valores nos quais fora educada e junto com eles, questionamentos que fazem o público refletir, como o cômico momento em que indaga seu novo colega sobre o por que de as pessoas casarem sem se amarem ou quando confronta cara a cara um dos coronéis do exercito britânico.

Não demora muito para que Diana rapidamente torne-se a Mulher Maravilha, uma vez que se depara com a horrível realidade de uma guerra. Guiada pelo senso de promover a paz, nossa guerreira libera toda sua fúria para repelir as agressões, sempre movida pela sua ingenuidade que a torna destemida e livre. Gadot consegue imprimir na heroína um tom guerreiro e inocente ao mesmo tempo. É o tipo de inocência que nossa sociedade parece esquecer a cada dia.

O figurino vermelho, azul e dourado, como é conhecido, na verdade é a armadura de guerra de Diana, e apesar de criticado por usuárias feministas, devemos lembrar que a Mulher Maravilha era muito sensualizada nos anos 70, durante o seriado de TV, e ainda mais nos quadrinhos. No longa em análise, a personagem utiliza-se do figurino apenas nos combates e prova para a plateia que existe um propósito para que seja dessa forma, como no momento em que experimenta um vestido típico da época e indaga ‘como uma mulher deve lutar usando isso?’ e acaba rasgando uma saia ao tentar chutar o ar em demonstração. Por fim, opta por um sobretudo e chapéu.

Em momento algum, temos exposição desnecessária. E nesse quesito, os produtores acertaram em cheio!

Nosso personagem secundário, Steve Trevor, aceita a heroína como ela é, em clara posição respeitadora. Enquanto outros subestimam a capacidade intelectual e física de Diana, Trevor aceita e respeita. O piloto consegue cativar a plateia e mostrar como atitudes positivas sem machismo podem ser enriquecedoras para as relações humanas. Atuação sincera e empatia marcam nosso herói masculino do longa.

Como vilões, vale mencionar a fenomenal Dra. Veneno (vivida pela espanhola Elena Anaya, de ‘Conexão Escobar’), em clara menção aos experimentos médicos bizarros realizados pelos Alemães. A vilã é uma alquimista obcecada por desenvolver uma bomba de gás poderosa e guiada pelo General Erich Ludendorff (Danny Huston, de ‘Frankestein’). A dupla de vilões mescla realidade e fantasia ao unir uma cientista alemã louca com um general igualmente perverso.

O roteiro cresce gradativamente ao longo da projeção e nos arrasta cada vez mais à trama, com bom desenvolvimento de personagens, aprofundamento na medida correta e excelente dosagem nas cenas de ação. Perde apenas para a utilização de efeitos computadorizados em certas sequencias, porém, como estamos engajados com algo maior, facilmente relevamos o apelo para o CGI.

Mulher Maravilha foge do padrão super-herói e conquista por retratar uma personagem com ar de inocência, guiada pelo senso de justiça e promoção da paz. Em época de saturação Marvel nos cinemas, o presente longa tem todos os elementos para trazer até quem não gosta de heróis às salas. Equilibrado em todos os sentidos, a produção da DC deve ser o melhor lançamento da produtora até a presente data. Mesmo assim, você encontrará haters  pela internet procurando defeito.

Corra para o cinema e vivencie essa eletrizante e cativante aventura.

 

Avaliação: 100% – EXCELENTE!

 

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