Mãe! | Crítica


Intenso, provocante e visceral. Uma jornada angustiante à reflexão do mundo ao nosso redor.

Está chegando aos cinemas, nesta quinta-feira, o novo e polêmico Mãe!, do diretor Darren Aronofsky (de O Cisne Negro) e estrelado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem. A produção vem recebendo críticas mistas, com direito a aplausos e vaias após sua exibição no festival de Veneza, no dia 04 de setembro. Afinal, do que se trata e por que tanta controvérsia?

A trama narra a convivência de um casal, vividos na tela por Lawrence e Bardem respectivamente, em uma remota e pacífica casa no interior. Sabe-se que após um terrível incêndio, a moça dedicou-se a renovar o local e, pouco a pouco, deu vida aos cômodos do casarão.

Tudo, porém, ganha novos rumos quando um estranho homem (Ed Harris) bate à porta da dupla, no meio da noite. Com excessiva hospitalidade, o morador da residência o convida para ficar e no dia seguinte é surpreendido com a súbita chegada da esposa do estranho (Michelle Pfeiffer).

A partir desse ponto, a pacata vida do casal ganha um tenso e incômodo tom de terror psicológico, uma vez que o personagem de Javier Bardem os trata como velho conhecidos e ignora qualquer desconfiança que sua parceira demonstre.

Não vamos deixar enganar, entretanto. A presente premissa é apenas a ponta do ice berg e o longa, escrito pelo diretor, desdobra-se nas mais obscuras e perturbadoras situações, chegando até mesmo à violência psicológica e física extremas. O roteiro é escrito em forma metafórica, portanto, será absorvido por cada um da plateia de forma pessoal e independente. É certo que a criatividade do diretor/roteirista é marcante e comunica a mensagem que deseja de forma artística e ao mesmo tempo, grotesca.

Para colocar o público na perspectiva da nossa protagonista, os produtores constantemente utilizam-se da handy cam, que é montada no ombro do cameraman e nos dá a sensação de estarmos seguindo a personagem por trás. Ainda, quando a fotografia não é por trás, mas sim pela frente da atriz, a imagem permanece mais estável e o som surround é trabalhado perfeitamente bem.

Conforme há ruídos ou movimentos na gigantesca propriedade, a perspectiva da personagem muda, e o som surround também. Percorre a sala de cinema rapidamente, e alterna entre canal surround esquerdo, central e direito para os canais frontais com uma suavidade que, de fato, nos coloca dentro da situação vivida em tela, aumentando a tensão significativamente. Seria um crime assistir a tamanha mixagem de áudio sem os canais surround.

Cada personagem que é apresentado em tela, curiosamente, não tem nome. Nossa protagonista é referida apenas como ‘Mãe’, seu parceiro, como ‘Ele’. Os intrusos, como ‘Homem’ e ‘Mulher’. Nada mais. Inovador em certo aspecto, uma vez que nossa atenção e olhos estão tão vidrados na trama, que esse detalhe não nos ocorre à mente.

Lawrence vive uma mulher passiva às vontades do marido e calma na maior parte do tempo. Sua personagem atura os mais diversos abusos, porém, é capaz de colocar para fora toda fúria, quando necessário. E nesse quesito, a performance da atriz é excepcional! Carismática e vitimizada ao mesmo tempo, a plateia vê através de sua perspectiva, sendo capaz de sentir na pele o terror psicológico que deve atura.

Bardem é um homem hospitaleiro e generoso. Não poupa esforços para agradar seus hóspedes e exala um ar de falsa inocência, quando na verdade, desconfiamos de suas atitudes durante todo o filme. Sua habilidade de demonstrar felicidade e calma durante momentos tensos contribui ainda mais na construção do medo e no clímax.

Compondo o misterioso casal, Ed Harris e Michelle Pfeiffer também comunicam perigo e simpatia simultaneamente. A intérprete passa à plateia enorme desconforto apenas com seu olhar e expressões corporais, enquanto que o ‘Homem’ é capaz de causar frio na barriga com comentários inapropriados entre uma risada e outra. A sutileza na atuação do elenco faz deste filme uma obra que deve ser ‘lida’ nas entrelinhas.

Não aguarde, entretanto, um longa com apenas uma premissa. Conforme mencionado anteriormente, a obra em análise mistura drama, terror e mistério em todos os momentos e contém cenas de extrema violência, no clímax. Se o público não estiver ciente das proporções que serão tomadas, é bem provável que alguns retirem-se da sala de projeção antes do término da sessão.

No mais, estamos diante de um longa que é intenso, provocante e visceral. Uma jornada angustiante à reflexão do mundo ao nosso redor. É necessário observar as entrelinhas, absorver e preparar-se para, literalmente, qualquer coisa. Não é à toa que as críticas foram controversas, porém, este que vos escreve, ao final da sessão, sentia uma mistura de repúdio, choque, surpresa e fascinação pelo que acabara de assistir.

Com ajuda do Review

O que você achou disso?

Chorei Chorei
0
Chorei
OMG OMG
0
OMG
Fail Fail
0
Fail
Amei Amei
3
Amei
Medo Medo
1
Medo
QUE?? QUE??
2
QUE??
Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

Mãe! | Crítica

Choose A Format
Personality quiz
Series of questions that intends to reveal something about the personality
Trivia quiz
Series of questions with right and wrong answers that intends to check knowledge
Poll
Voting to make decisions or determine opinions
Story
Formatted Text with Embeds and Visuals
List
The Classic Internet Listicles
Open List
Open List
Ranked List
Ranked List
Meme
Upload your own images to make custom memes
Video
Youtube, Vimeo or Vine Embeds
Audio
Soundcloud or Mixcloud Embeds
Image
Photo or GIF
Gif
GIF format