Crítica | Lucky


Descobrimento interior e sutileza no primeiro longa metragem de John Carrol Lynch

Está chegando aos cinemas nesta quinta-feira, dia 07 de dezembro, o primeiro longa de John Carrol Lynch como diretor e estrelado por Harry Dean Stanton; LUCKY. Com temática sutil e narrativa lenta, a presente obra é um must see para apreciadores de um bom drama.

A premissa é bastante objetiva; o ex militar da marinha Lucky (Harry Dean Stanton) vive uma vida solitária e pacata no interior. É conhecido por todos ao redor e, apesar de fumar um maço de cigarro por dia, está com excepcional saúde. Após uma súbita queda em sua casa, passa a notar que o seu tempo de vida em determinado momento acabará, independentemente de quanto ‘durão’ você é ou quantas coisas você conquistou.

Dessa forma, o público imerge numa calma cidadezinha na companhia de Lucky, para uma jornada rumo ao autoconhecimento.

Divulgação

A primeira característica marcante, possível de vislumbrar na obra é a excepcional fotografia. Cada dia que é mostrado em tela inicia-se com imagens e takes belíssimas do nascer do sol ao redor da casa de Lucky. O próprio personagem também recebe close ups mesmo quando executa pequenas atividades diárias. Um colírio para os olhos do cinéfilo.

Assim, embalado pela cuidadosa fotografia, o roteiro desenvolve-se. Um tanto quanto lento, porém, com bom efeito. As respostas do longa não estão em eventos, mas sim no descobrimento interior do personagem. Lucky é um protagonista de múltiplas camadas, a cada minuto de projeção somos capazes de entender mais e mais o porquê daquele senhor ser quem ele é. Talvez de forma proposital, ou não, alguns eventos vistos na tela passam por nossos olhos sem uma resolução..

Lucky atende um telefone vermelho toda noite, mas sem ser dado maiores informações sobre quem está do outro lado da linha. Talvez os roteiristas tenham propositalmente deixado a inquietude e imaginação da plateia falar mais alto nesse quesito, já que tais eventos não prejudicam a narrativa, apenas aguçam a curiosidade alheia.

Harry Dean Stanton é o grande responsável pelo carisma projetado à tela. Curioso notar que o próprio ator foi um cozinheiro na marinha e serviu ao exército assim como o personagem ao qual dá vida. Lucky aparenta ser uma pessoa simples, à primeira vista, mas graças ao carisma e empatia transmitido pelo artista, o público é capaz de tê-lo como um amigo, semelhante ao que ocorre ao ler um bom livro e simpatizar com os personagens, que dão saudade quando a obra acaba. Fenômeno semelhante é vislumbrado na produção em análise. Lamentavelmente, Harry veio a falecer no dia 15 de setembro deste ano, fazendo deste filme sua penúltima produção cinematográfica.

A trilha sonora é composta em sua maioria por músicas country, que casam perfeitamente com o cenário. Lucky tem um tema principal tocado unicamente por uma gaita. Esse tema é reprisado em alguns momentos chave e é a identidade musical do personagem. Além destes, a maioria da película repousa no silêncio da brisa suave que cerca as casas da cidadezinha. Não há exploração do quesito auditivo porque é um longa visual e que deve ser assistido e observando nas entrelinhas e sutilezas, mesmo assim, o som cumpre seu papel e serve como base para os eventos e revelações.

No mais, LUCKY é um filme de autodescobrimento e desenvolvimento do personagem. Tem um passo lento que pode desagradar os mais ansiosos, mas é divertimento garantido para os apreciadores de um bom drama de arte (e de Harry Dean Stanton).

 

Harry Dean Stanton 14/07/26 – 15/09/17

 

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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