Crítica | JUMANJI: Bem Vindo à Selva


Bem vindo à selva, literalmente.

Está chegando aos cinemas, no próximo dia 04 de Janeiro, um título que promete aquecer ainda mais o início das férias escolares: Jumanji: Bem-Vindo à Selva. A referida obra é remake do longa homônimo lançado em 1995 e estrelado por Robin Williams. Na nova adaptação, dirigida por Jake Kasdan (de Sex Tape: Perdido na Nuvem) e estrelado pelo já conhecido Dwayne ‘The Rock’ Johnson, a já conhecida aventura ao mundo virtual do game Jumanji ganha um banho de modernidade que promete agradar as novas gerações.

A premissa segue quatro jovens adolescentes que, após se meterem em encrencas no colégio, são enviados para a detenção. Spencer, Fridge, Bethany e Martha (Alex Wolf, Ser’Darius Blain, Madison Iseman e Morgan Turner, respectivamente) acabam encontrando um antigo video game intitulado JUMANJI. Guiados pela curiosidade e tédio do castigo, o quarteto pluga o jogo e repentinamente são transportados para dentro dele, tornando-se os personagens escolhidos por eles. Spencer, Fridge, Bethany e Martha agora são representados por Dawayne Johnson, Kevin Hart, Jack Black e Karen Gillan.

Divulgação

Uma vez dentro do jogo, o espectador é convidado – assim como os personagens – a um mundo improvável e repleto de perigos e seres estranhos, tudo digno de um bom game.

É interessante notar que o universo em que os eventos ocorrem é virtual, isso quer dizer que todos os seus integrantes, inimigos, acontecimentos e até mesmo a ‘vida’ dos heróis aqui retratados, seguirão a lógica usada nos vídeo games.  A direção de Jake Kasdan adapta-se bem a essa ideia. O cineasta cria um jogo-realidade muito bem representado por câmeras frenéticas, ambientação perigosa e personagens que vão se autodescobrindo à medida que a trama avança. Mesmo tratando-se de um longa cômico, o respeito à cinematografia de qualidade é mantido, tornando a presente obra muito mais respeitável.

Porém, o que torna o filme aqui analisado realmente empolgante é o roteiro, que fora escrito pelo quarteto Chris McKenna (de Homem Aranha: De Volta Ao Lar), Erik Sommers (de LEGO Batman: O Filme), Scott Rosenberg (de Fuga Desenfreada) e Jeff Pinkner (de A Torre Negra). O script trabalha bem em cima do fato de estarmos num mundo virtual e introduz elementos inteligentes como os personagens de inteligência artificial que habitam Jumanji, a exemplo do anfitrião Nigel (Rhys Darby), que repete as mesmas frases toda vez que interrogado sobre detalhes.

Ainda, todos os heróis possuem três vidas e habilidades e fraquezas que podem tornar-se algo bom ou ruim, a depender do desafio que venha a enfrentar. Tais enrascadas são fieis a jogos eletrônicos e proporcionará bons momentos cômicos à plateia. O roteiro também trás o caricata e ambicioso vilão; Van Pelt (Bobby Cannavale, de O Touro Ferdinando) com desejos e recursos dignos de um bom inimigo do universo gamer. O referido personagem não é explorado ou aprofundado, o que sabemos é passado por flashbacks ou, como chamado na língua dos vídeo games, por cutscenes que contam a breve história de Van Pelt, nada mais.

A título de performance, o elenco faz bonito e consegue capturar a atenção do espectador por todos os 130 minutos de projeção. A grande questão aqui é que os personagens são meros avatares de seus jogadores. Por isso, a personalidade não bate com a aparência, todos os atores estão interpretando alguém que é diferente deles. Por soarem naturais e fieis àqueles que estão sendo, a mensagem humorística e o nível de realidade são transmitidos com sucesso.

Dwayne Johnon volta a dividir a tela com Kevin Hart e a dupla consegue demonstrar uma química fantástica, assim como visto em Um Espião e Meio (2016). Dwayne exibe todos seus dotes físicos como de costume, porém, com a insegurança de um nerd adolescente. Kevin é o responsável por boa parte do alívio cômico, por seu jeito debochado e desajeitado. Outra parte do humor é entregue a Jack Black que interpreta ninguém menos que Bethany, a patricinha mimada. Black consegue soar hilário ao encarnar a menina que vê-se desesperada em um corpo com sobrepeso. A naturalidade e nível de realidade transmitida pelo ator convence a quem assiste e faz dar boas risadas.

Ainda no elenco, Karen Gillan (de O Círculo) incorpora a parte girl Power tendo um personagen intitulado ‘matadora de homens’. Por aí você já deduz muito. Entretanto, a personalidade de Martha é da garota tímida e insegura. A atriz consegue misturar o melhor dos dois mundos num personagem cativante e que não é explorado pelo machismo. E por fim, Bobby Cannavale é o vilão Van Pelt. Não há muito o que se dizer sobre ele, já que seu passado é superficialmente contado, porém, da mesma forma que no mundo dos jogos, esse tipo de história importa menos do que a ação.

A mixagem de som faz excelente trabalho. Disponível nos formatos AURO 11.1 da Barco, DOLBY ATMOS e DTS X, o longa irá soar ótimo mesmo em salas DOLBY 7.1, que ainda representam a grande maioria dos cinemas. Como a selva é um ambiente repleto de sons, os canais surround são cruciais e responsáveis por grande parte da imagem auditiva. Zumbidos, rosnados, passos em folhas secas e sons do ‘jogo’ são entregues pelo som surround. As cenas de ação possuem bastante impacto e transmitem enorme parte da ação ao cinéfilo, seja com ronco de motores ou o pisar de um elefante. Tudo é distribuído e colocado onde deve estar para criar a ilusão de imersão.

No mais, JUMANJI é um filme divertido que proporciona muita ação e que dá azo à imaginação do espectador. Apesar de não possuir uma premissa séria, é filmado com respeito à cinematografia de qualidade. As performances são boas e convincentes, agasalhadas por um roteiro lógico e constante. Não aguarde, entretanto, um longa para reflexões profundas ou cinefilia reflexiva. O quesito aqui é entretenimento em uma produção ‘pipoca’.

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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