Crítica | Guerra Mundial Z

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Título: Guerra Mundial Z (World War Z)
Ano: 2013
Diretor: Mars Forster
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, Fana Mokoena, Pierfrancesco Favino, Ludi Boeken, David Morse

Adaptado de maneira flexível do cultuado livro homônimo de Max Brooks, Guerra Mundial Z chegou aos cinemas após um longo período desde o início de suas filmagens, que começaram em 2011 e após algumas turbulências nos bastidores e refilmagens de cenas inteiras, conseguiu finalmente sair do forno. Apesar dos trailers meio confusos e enigmáticos e da presença de Brad Pitt como ilustre protagonista (filmes de zumbis geralmente não costumam ter estrelas deste porte no elenco), é mais um filme de zumbi no meio de tantos outros que proliferam ao redor do gênero, que não demonstra cansaço jamais, talvez pelo fascínio que um suposto fim do mundo ocasionado pela proliferação súbita dos mortos vivos gera no espectador. E fora alguns motes inéditos como o fato das criaturas aqui se sentirem atraídas pelo cheiro (até aí tudo bem. O zumbis de The Walking Dead sentem atração pelo cheiro, os de A Volta dos Mortos Vivos por cérebros, e por aí vai) – dentre outras peculiaridades que não serão mencionadas para evitar spoilers, é mais um longa típico do gênero sem muitas inovações e modismos do que uma crítica politizada e global recauchutada em um formato pop (como se isso fosse novidade). E gostamos assim.

Brad Pitt, ator e produtor neste, faz as vezes de Gerry Lane, dedicado pai de família e ex-agente da ONU que, juntamente com sua mulher e filhas, se vê inesperadamente no meio de um ataque das famosas criaturas imortalizadas por George Romero. Mas aqui, após a mordida, os humanos levam cerca de segundos para a transformação e são velozes (sim, características idênticas às do excelente Extermínio). Lane é recrutado novamente pela ONU para viajar o mundo e tentar descobrir onde o contágio começou, ou quem precisamente foi a primeira pessoa infectada, para poderem desenvolver uma possível cura para o vírus. E assim acompanhamos a jornada de Lane por alguns países, incluindo uma interessante passagem por Jerusalém e seu conceito de muralhas que suposta e temporariamente mantém a cidade imune às criaturas.

Apesar da violência branda (a censura exigida era 13 anos) e das cenas familiares entre Pitt e entes não serem das menos artificiais e só incomodarem (a química entre o agente e sua parceira improvisada Segen flui muito mais eficaz e naturalmente), o filme nos compensa com ótimas cenas de ação e, principalmente, de tensão, que definitivamente são o ponto forte da trama. Mérito da excelente direção de Marc Forster, que não deixa um roteiro calcado nas aventuras lineares de um herói destemido passando por diversos lugares do mundo se transformar em um filme em esquetes.
Guerra Mundial Z pode não ser o melhor filme do gênero, nem o mais violento ou o mais assustador (e certamente não é nenhum dos três), mas focae aprofunda mais em personagens do que os similares geralmente fazem. E com a ajuda da bela e dramática trilha incidental e um final satisfatório que definitivamente deixa ponta para uma continuação, Guerra Mundial Z só acrescenta dignamente ao invés de preencher desnecessariamente e fadigar o universo cinematográfico dos nossos queridos mortos canibais.

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