Crítica | Fala Sério, Mãe!


Mães “coruja” ganham filme para chamar de seu

As produções nacionais continuam inundando as salas de cinema por todo o país e a bola da vez é a comédia / drama Fala Sério, Mãe! baseado no livro homônimo da escritora brasileira Thalita Rebouças e adaptado às telas por Patrícia Andrade, Fernando Ceylão e Sylvio Gonçalves. A direção fica a cargo do diretor de novelas Pedro Vasconcelos. Com data de estréia marcada para 28 de dezembro, fica o desejo de que a presente produção eleve o cinema nacional e não erre feio como o recente e deplorável Os Parças o fez.

A trama gira em torno da mãezona coruja Ângela Cristina (Ingrid Guimarães), casada com Armando (Marcelo Laham), a partir do nascimento de sua primeira filha, Maria de Lourdes (Larissa Manoela). Posteriormente, o casal vem a ter mais dois filhos: Mário Márcio (Raphael Tomé) e Malena (Carolina Dumani). A partir desse ponto, o longa segue desdobrando-se em eventos típicos de família que certamente causará familiaridade com a maior parte do público.

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A princípio, notamos um tom cômico forte na obra desde as cenas iniciais. O diretor aborda o cotidiano e o drama de uma gravidez de forma leve e cômica, porém, a graça inicial dá espaço para temas mais delicados como traição e até mesmo a vida sexual de um casal com filhos. Mesmo esforçando-se para se adequar ao âmbito cinematográfico, o diretor Pedro Vasconcelos não consegue escapar de suas origens televisivas em novelas. Afinal, o referido cineasta dirigiu Força Do Querer na Rede Globo e foi o responsável pela aberração cinematográfica Dona Flor e Seus Dois Maridos estreado este ano, remake do longa de mesmo nome dos anos 70.

Colecionando tais títulos na carreira, já era de se esperar que o tom novelístico fizesse parte da obra em análise, e o faz. A abordagem que é dada aos eventos é uma mistura de novela adolescente com zorra total com novela das 8. Infelizmente os filmes nacionais ainda são muito presos à Globo Filmes, causando uma verdadeira limitação criativa graças à abordagem teatral/televisiva que é monopólio da referida produtora.

O roteiro, adaptado da obra literária, segue um passo estável e constante. Pouco a pouco, aborda a vida cotidiana com um tempero cômico, semelhante a adicionar ketchup a uma comida ruim. Alguns fatos como brigas, embriaguez e menstruação, que naturalmente não têm graça, recebem uma trilha sonora infantil e entre quedas e gritos dos personagens, alguns frequentadores na platéia conseguem ver humor neste tipo de cena.

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Thalita Rebouças consegue, com sucesso, retratar em sua estória acontecimentos que atingem quase todas as famílias brasileiras. De fato, até mesmo algumas falas presentes parecem ter sido tiradas de nossas próprias vidas, entretanto, a referida autora limita-se a não inovar e continua sua crônica sem introduzir nenhum elemento que surpreenda ou leve o conto a uma resolução e assim, acaba recaindo em inúmeros clichês.

O elenco é o ponto mais alto da obra. As crianças e adolescentes se destacam por sua atuação sincera e natural. Larissa Manoela rouba a cena em diversos momentos, já que seu personagem é um dos pilares da trama. De forma espontânea, a atriz encena momentos que emocionam bastante e demonstra-se bem à vontade em seu papel. A maioria dos seus momentos é contracenando com Ingrid Guimarães que incorpora com naturalidade a mãe protetiva e presente.

No mais, estamos diante de um filme teen que não deve ser levado ao pé da letra. Infelizmente, por ser produção da GLOBO FILMES, soa como uma mini série adaptada ao cinema, entretanto, tal fator não afastará o público ao qual a presente obra destina-se.

 

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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