Crítica | Evereste


Brazil_Everest_Mountain_0FICHA TÉCNICA:
Título Original: Everest
Ano: 2015
Estreia: 24/09/2015
Gênero: Aventura, Drama, Suspense
Duração: 150 min.
Roteiro: Justin Isbell, Lem Dobbs, Mark Medoff, Simon Beaufoy,William Nicholson
Direção: Baltasar Kormákur
Elenco: Jason Clarke, Josh Brolin, John Hawkes, Robin Wright, Michael Kelly, Sam Worthington, Keira Knightley, Emily Watson, Jake Gyllenhaal
Distribuição: Universal Pictures do Brasil

Acesse o site oficial do filme, clicando aqui.

 

Por: Alyson Fonseca 

 Baseado em fatos reais, Evereste narra os incríveis acontecimentos decorrentes de uma tentativa, em 1996, de se chegar ao topo do lugar mais alto—e mais perigoso—da Terra: o Monte Evereste.

Era uma bela manhã ensolarada em 10 de maio de 1996, quando Rob Hall, líder meticuloso e cuidadoso da Adventure Consultors, na Nova Zelândia, e Scott Fischer, alpinista muito experiente e líder da equipe da empresa Mountain Madness, de Seattle, conduziram suas equipes em uma última escalada rumo ao ponto mais alto da Terra: o pico do Evereste, a 8.848 metros acima nível do mar, ou seja, a altitude de cruzeiro de um avião a jato 747. As equipes haviam passado dois meses subindo a gigantesca montanha, acostumando-se ao frio extremo e ao ar rarefeito das grandes altitudes, vivendo com níveis tão baixos de oxigênio que o simples ato de caminhar pode ser um exercício extenuante.

Três dos alpinistas de Rob Hall e dois sherpas chegaram ao topo naquele dia, mas, de repente, uma tempestade inesperadamente violenta atingiu o pico com a força de um furacão e apanhou os aventureiros durante a descida da montanha. A tempestade continuou castigando, e já estava escurecendo quando Rob Hall tentou, em vão, ajudar um cliente exausto, o carteiro e alpinista Doug Hansen, a descer uma parede de 12 metros chamada de Hillary Step (8.790 m) em homenagem ao lendário alpinista neozelandês Sir Edmund Hillary.

À noite, Rob Hall estava exausto pelos esforços de resgatar Doug Hansen. Incapaz de descer sem ajuda, ele ficou a sós e exposto ao mau tempo do Cume Sul (8.764 m) por nada menos que duas noites, sob efeito da tempestade. Ventos de extrema força frustraram os esforços da equipe de resgate, que estava exausta e não conseguiu encontrar o caminho no escuro e na neve. Tentativas de resgate por baixo não haviam funcionado.

Andy Harris (mais conhecido como “Harold”), neozelandês e guia da Adventure Consultors, desapareceu na montanha. Foi visto pela última vez escalando, heroicamente, o Cume Sul do pico, tentando dar assistência a Rob Hall e Doug Hansen. Embora tenha encontrado Rob Hall no topo, onde passou a noite com ventos de 120 km/h e 40 graus negativos, Andy Harris sumiu na escuridão da noite e nunca mais foi visto.

Scott Fischer, que havia chegado ao topo com seus guias, Anatoli Boukreev e Neal Beidleman, além de seis dos seus clientes, também teve grandes dificuldades durante a descida. Apesar da companhia de Lopsang Sherpa, líder dos sherpas da Mountain Madness, Scott Fischer perdeu as forças embaixo do Balcony Pico (8.412 m) e, finalmente, convenceu Lopsang a descer sem ele. Lopsang seguiu suas ordens, com a esperança de enviar alguém que trouxesse mais oxigênio para ajudar Scott Fischer a descer.

De sua parte, Anatoli Boukreev já havia trazido seus clientes para baixo antes e tentou chegar até Scott Fischer, mas foi obrigado a voltar por causa das terríveis condições do tempo. À noite, ele conseguiu resgatar outros alpinistas perdidos que estavam presos na montanha a 7.925 m de altitude, no Colo Sul (chamado assim porque é o ponto mais baixo de uma ligação entre dois picos).

Enquanto isso, outra luta por sobrevivência ocorria 850 m montanha abaixo, no Colo Sul. Beck Weathers, patologista do Texas que fazia parte da equipe da Adventure Consultors, teve a visão gravemente afetada pelo brilho da neve enquanto escalava em direção ao topo. Anos antes, ele havia passado por uma cirurgia corretiva nos olhos e, agora, a caminho da “Zona da Morte” do Monte Evereste—um lugar onde o oxigênio é tão escasso que o corpo humano perde algumas de suas faculdades vitais—a altitude fez com que sua visão ficasse turva, de modo que ele não enxergava mais que um metro à frente do nariz.

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Rob Hall fez Beck Weathers jurar que não continuaria mais escalando e pediu-lhe que ficasse sentado até que ele voltasse e pudessem descer juntos. Mas, poucas horas depois disso, Beck Weathers se viu meio de uma forte tempestade, fazendo o possível para se defender.

Finalmente, um grupo de alpinistas que descia do topo veio ao seu encontro e tentou ajudá-lo. Ele então foi amarrado ao guia Mike Groom, da Adventure Consultors, enquanto eles tentavam, desesperadamente, encontrar o Acampamento Quatro a cerca de 7.925 m, no Colo Sul. Mas, com a neve, o vento e o escuro dificultando até uma simples caminhada, não foi possível encontrar as tendas na vastidão do Colo Sul. Exaustos, eles se abraçaram e compartilharam o que lhes restava de calor, a última esperança de sobrevivência às condições severas e as temperaturas abaixo de zero até que houvesse mais visibilidade e eles pudessem encontrar os acampamentos.

Quando a tempestade finalmente diminuiu, Mike Groom sabia que tinha muito pouco tempo para conseguir ajuda. Ele deixou Beck Weathers e quatro outros alpinistas para trás, todos eles quase inconscientes, e voltou ao Acampamento Quatro para pedir ajuda. A essa altura, todos os envolvidos estavam profundamente enfraquecidos. Mais de 27 horas já tinham se passado desde o começo das atividades, e eles já não tinham estoques de oxigênio, comida e água. Feridos, quase sem nenhum oxigênio e absolutamente congelados, eles chegam ao máximo da exaustão e à beira da morte.

O socorro chegou algumas horas depois. Quando já era bem tarde da noite, Anatoli Boukreev resgatou os clientes da Mountain Madness que restavam. Ele concluiu, friamente, que os clientes de Rob Hall, Beck Weathers e Yasuko Namba, alpinista japonesa que escalou os sete maiores picos do mundo, estavam praticamente mortos, congelados ao ponto de já serem incapazes de falar ou se arrastar.

Ele mesmo chama de milagre do alpinismo o fato de que Beck Weathers conseguiu se reanimar—apesar de não enxergar, ter escaras profundas de frio no rosto e as mãos congeladas até os pulsos—e chegar ao Acampamento Quatro na tarde seguinte. Um dia depois disso, ele foi levado para o Acampamento Um (6.035 m) por uma equipe de resgate composta por alpinistas de outras expedições. Quem estava lá disse que Beck Weathers parecia um cadáver ambulante.

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Quem também estava na região na ocasião era Guy Cotter, outro guia dos Adventure Consultors, que conduzia uma expedição no Monte Pumori, bem próximo dali. Guy Cotter havia feito contato por rádio com Rob Hall ao longo do dia da escalada e, quando foi atingido pela tempestade, logo percebeu a situação difícil e perigosíssima em que seu amigo se encontrava. Na manhã seguinte, percorreu a pé a curta distância até o acampamento na base do Evereste (5.534 m) para oferecer qualquer ajuda que pudesse.

Guy Cotter tentou providenciar o resgate de Rob Hall, mas os dois sherpas que subiram a fim de encontrá-lo foram obrigados a voltar de um ponto 106,7 m abaixo de onde ele estava, pois ficaram exaustos e não conseguiam mais continuar. Estava claro que os esforços de resgate e a tempestade haviam esgotado as forças de todos os envolvidos. Simplesmente, não havia recursos humanos suficientes para ajudar Rob Hall a descer os penhascos mais altos da montanha, e todas as tentativas de resgate foram abandonadas. Finalmente, os sobreviventes sofridos do Colo Sul conseguiram descer a montanha com ajuda dos sherpas.

Peach Weathers e Lisa Choegyal, moradora em Kathmandu há muito tempo, conseguiram obter da embaixada dos Estados Unidos um helicóptero militar do Nepal para resgatar seu marido e outro alpinista no topo da geleira, a uma altitude de 6.000 m. O resgate foi considerado um dos mais ousados já feitos nas montanhas do Nepal.

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Beck Weathers sobreviveu, mas Rob Hall, Scott Fischer, Andy Harris, Doug Hansen e Namba morreram na tempestade, além de três alpinistas de um grupo da polícia de fronteira entre a Índia e o Tibete—a primeira equipe indiana a chegar ao topo do Colo Norte (7.020 m). Até então, esse foi o dia com maior registro de número de mortes da história do Monte Evereste.

Essa história, que ilustra a resistência, a persistência e a ambição infinita do ser humano, cativou a mídia e a imaginação do mundo todo durante o tempo todo. A narrativa dos bravos sobreviventes e aventureiros perdidos é extraordinariamente relevante e continua impressionando até hoje. Toda esta história é narrada no filme Evereste, que estreia nesta quinta-feira (24/09), nos cinemas do Brasil.

Inspirado nos incríveis acontecimentos decorrentes de uma tentativa, em 1996, de se chegar ao topo da montanha mais alta do mundo e mais tarde publicada no livro autobiográfico Into Thin Air: A Personal Account of the Mt. Everest Disaster (No Ar Rarefeito: Um Relato da Tragédia no Everest em 1996 (Companhia das Letras)), escrito pelo escritor, jornalista e alpinista Jon Krakauer, documenta a emocionante jornada de duas expedições que chegam ao limite diante de uma das mais fortes nevascas já registradas na história da humanidade. Com amizades forjadas na luta e no desespero—e sua essência posta à prova pelo ambiente mais hostil do planeta—os alpinistas enfrentam obstáculos quase impossíveis, e o que era a obsessão de uma vida inteira se transforma em uma batalha monumental pela sobrevivência.

O filme se passa naquele ano de 1996 e conta a história de dois grupos de alpinistas liderados por Rob (Jason Clarke) e Scott (Jake Gyllenhaal) que se uniram na tentativa de escalar o monte Evereste, mas uma grande nevasca coloca a vida de todos em risco. Com a esposa grávida (Keira Knightley), Rob é menos aventureiro que Scott, se preocupando com a segurança dos membros de sua equipe. Ele lutará bastante para tentar proteger a todos.

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Adaptado para o cinema pelo vencedor do Oscar Simon Beaufoy (Quem Quer Ser um Milionário?) e William Nicholson (Gladiador) e dirigido pelo islandês Baltasar Kormákur (Dose Dupla), Evereste apresenta um roteiro que foge muito bem do drama exagerado, mas que podaram a história de tanta emoção que acabou gerando um filme com o qual o espectador possui facilidade em se envolver e se emocionar. O filme apresenta uma mulher gestante aflita com a viagem do marido e do que ele irá enfrentar, pessoas que foram gastaram milhares de dólares para escalar 8.848 metros acima nível do mar, ou seja, a altitude de cruzeiro de um avião a jato 747. Além de mostrar o emocionante desafio de outras pessoas que lutaram para sobreviver em um ambiente congelante.

Kormákur realiza um épico, talvez não foi esta a intenção do diretor islandês, nessa ficcionalização de uma história real ocorrida em 10 de maio de 1996, quando num único dia três expedições diferentes foram pegas por uma dramática tempestade de neve repentina no topo do monte mais alto do mundo. De qualquer forma, parte de uma decisão consciente, ao tornar a banalização do Evereste um elemento central da trama.

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No elenco, o destaque vai para nomes como Jason ClarkeJake GyllenhaalJosh BrolinRobin Wright, John HawkesEmily WatsonMichael KellyKeira KnightleySam Worthington, Evereste conta com boas atuação, que só não são melhores por causa do roteiro mal desenvolvido no início da projeção, mas que na segunda parte ganha mais ritmo e prende mais a atenção do espectador. Gyllenhaal tem uma ótima presença em cena. Outros destaques vão para Brolin, Hawkes e Knightley, principalmente, na cena em que sua personagem conversa com o marido pelo caríssimo telefonema via satélite (US$ 25,00/minuto), sabendo que o mesmo está em situação extrema de perigo.

Algumas curiosidades, Christian Bale foi escolhido para ser o ator principal de Evereste, em uma história que deveria se concentrar principalmente em seu personagem. Quando Bale abandonou o projeto para atuar no épico Êxodo: Deuses e Reis, os produtores decidiram alterar o roteiro e mostrar a história de vários alpinistas. Com orçamento de US$ 65 milhões, Evereste foi o filme de abertura do 72º Festival de Veneza 2015, no dia 02/09.

Com uma modesta, porém fascinante trilha sonora assinada pelo italiano e vencedor do Oscar Dario Marianelli (Desejo e Reparação), Evereste apresenta excelentes efeitos visuais, que serão bem mais aproveitados se assistido em 3D Imax (O Cine Cine Mania assistiu o filme na pré-estreia do filme, na sala Imax). O efeitos foram usados na medida certa para que pareça realmente que os atores passaram por tudo que aqueles alpinistas passaram. No fim, cumpre com eficiência o papel de ser uma adaptação de uma história verídica, além de ser um filme de aventura dentro da média para os padrões de Hollywood. Não vai te levar a se aventurar ou adentrar no mundo dos esportes radicais mas com certeza vai dar a sensação de como é escalar uma montanha. Lá no final, pouco antes dos créditos finais, aquela emocionante homenagem que vai deixar os espectadores de olhos molhados.

AVALIAÇÃO GERAL: 80 % (ÓTIMO)

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