Crítica | Corra!


Conhecer os sogros tornou-se ainda mais assustador!

Imagine a seguinte situação: Namorando há quatro meses, Rose (Allison Williams) convida seu companheiro Chris (Daniel Kaluuya) para um fim de semana na casa de seus pais, em uma cidade pequena. O que poderia dar errado? Primeiramente, por parecer sinopse de uma comédia romântica, muita coisa. Mas como não é o caso, somos presenteados com um thriller psicológico de fazer o coração saltar!

Aterrissa nos cinemas brasileiros, dia 17 de maio, o novíssimo Corra! (Get Out,2017), filme escrito e dirigido por Jordan Peele, sendo seu primeiro trabalho como diretor.

O longa em análise têm despertado curiosidade de cinéfilos mundo afora por sua recepção incrivelmente positiva por parte da crítica especializada, fato incomum para títulos do gênero. O público já passou a mensagem: ninguém mais compra filme slasher, como nos anos 80 em que um assassino mascarado mata jovens inconsequentes na beira de um lago sem motivo algum… soa familiar?

Subgênero de terror, o suspense inteligente prova-se altamente rentável. Por exemplo, o mais recente filme Fragmentado (Split,20170), de M. N. Shyamalan cria um clima de tensão e envolvimento na plateia que poucos títulos conseguem, e é nesse mesmo tom que Corra! desenvolve-se.

Como explicado anteriormente, Rose convida seu namorado Chris  -afrodescendente- para passar o fim de semana na casa dos pais, Missy (Catherine Keener) e Dean (Brasley Whitford). Durante sua estadia, Chris é recebido de forma muito calorosa, e para completar é surpreendido pela súbita chegada do irmão de sua amada, Jeremy (Caleb Landry Jones).

A medida que Chris descobre mais sobre a família Armitage, bizarros acontecimentos passam a tomar conta do local, como o comportamento anormal dos funcionários da propriedade – todos negros –  e o fato de Missy, mãe de Rose, ser uma psiquiatra que faz experiências com hipnose.

Sem mais revelações.

O diretor consegue, de forma brilhante, colocar a plateia na pele do nosso protagonista. Nós vemos através dele, e como trata-se de uma situação comum – casa estranha, família excêntrica, namorada…- podemos facilmente nos relacionar à esse cenário, apenas, não seríamos capaz de imaginar o que estaria por vir.

O terror de Corra! é completamente psicológico. Não há sangue algum, ou violência. A tensão é criada gradativamente em circunstâncias aparentemente normais, porém, que nosso subconsciente, inquieto, pensa ‘algo está errado’.

Daniel Kaluuya é excelente em seu papel. Seu personagem é bastante analítico e não demora muito para perceber as estranhas e atitudes da família.

O longa se passa quase que completamente na gigantesca casa dessa, aparentemente, família feliz e convidativa e nos faz pensar sobre diversos aspectos da nossa sociedade. Como aceitamos fazer o que não queremos, só para não chatear nossos anfitriões, ou como pessoas simples e sorridentes podem ser ameaçadoras.

Entretanto, acima de tudo isso, entra a questão racismo. Chris é o único negro, além dos funcionários, presente no recinto. Nós, telespectadores, sentimos os olhares tortos, as encaradas, os ‘raio-x’ que fazem dele em diversos momentos. Isso é um terror real vivido por pessoas como ele, em nossa sociedade. O longa triunfa em misturar questões tão lúcidas – racismo, conhecer os sogros – com um enredo envolvente, macabro e muito criativo.

Corra! é mais um excelente título para fãs de terror e aqueles que buscam um suspense de alta qualidade. Espectadores, entretanto, que preferem algo trash ou sangrento, como os dos anos 80, provavelmente criticarão o longa negativamente. De toda forma sabemos que referidos títulos não mais tem vez perante o público moderno e que filmes inteligentes e eficientes de hoje, serão os clássicos do amanhã.

 

Avaliação: 100% – EXCELENTE!

(Corra! …pro cinema!)

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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