Crítica | Chocante


Longa mescla comédia e drama em retratação de boy band caricata dos anos 90, vinte anos depois.

O mercado cinematográfico brasileiro parece estar a todo vapor. Recentemente, inúmeras produções com excelente repercussão têm dado o que falar tanto dentro como fora dos cinemas. Chocante, novo longa dos diretores Johnny Araújo (Legalize Já) e Gustavo Bonafé (E Aí…Comeu?), com estreia marcada para o dia 05 de outubro, narra a história da boy band que dá nome ao longa e o rumo que os membros do conjunto tomaram, 20 anos após a fama repentina e eventual desmembramento do grupo.

A ambientação é a década de 90; Programa do Gugu, televisores de tubo, penteados cacheados e muitas cartinhas de fãs histéricas. Era esse o cenário que cercava o grupo musical Chocante, comporto por Tim (Lúcio Mauro Filho), Téo (Bruno Mazzeo), Clay (Marcus Majella) e Tony (Bruno Garcia). Com todos os clichês inerentes à boy bands e músicas ‘água com açucar’ que marcaram época, o hit Choque de Amor é o som mais tocado no Brasil, na ocasião…

20 anos depois, o longa nos apresenta os mesmos integrantes… em suas tediosas e insatisfeitas vidas, fora de forma e saudosistas dos 15 minutos de fama e prestígio que tiveram no passado.

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Com base nessa premissa, somos levados por um drama-comédia que narra, de forma um tanto confusa, a tentativa do grupo de amigos em voltar ao cenário pop. Para isso, procuram o empresário do ramo do entretenimento, Lessa (Tony Ramos).

Logo de início, podemos tirar boas risadas da abertura do longa. A sequência de imagens traduz de forma satírica a realidade vivida por muitas bandas e conjuntos que emplacaram algum hit no passado, e acabaram pouco tempo depois. Quem vivenciou na pele esse momento da história, terá mais motivos ainda para soltar a risada.

Dentre os desafios que surgem aos nossos personagens estão; filhos, dinheiro, dores no corpo e até mesmo uma esposa ciumenta e possessiva. Questões impensadas pelos boys à época do auge da fama e jovialidade. O choque de realidades é gritante.

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O background do grupo Chocante é bem trabalhado. Desde o figurino, até as apresentações televisionadas. Tudo é uma grande sátira e soa muito engraçado em todos os momentos que um VHS antigo é rodado com o grupo cantando seu único sucesso Choque de Amor, que por sinal, é uma música muito pegajosa que sairá da sessão tocando na cabeça de muitas pessoas.

O humor apresentado em tela lentamente dá espaço e abertura para questões mais profundas como traição, ciúmes e homossexualidade não assumida. Há um certo desenvolvimento em cada protagonista que é descoberto pouco a pouco. Entretanto, perdendo-se no meio do caminho devido ao confuso e um tanto quanto frustrante roteiro da produção.

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Sem dúvida, a maior falha da obra em análise é seu roteiro. O espectador perde-se em eventos aleatórios que não encaminham a nenhum clímax ou resolução de conflito. Ao contrário, personagens somem repentinamente como o empresário Lessa e outros são introduzidos do nada, sem justificativa de onde veio, como o novo integrante da banda Rod (Pedro Neschling), que também toma rumo incerto e não explicado. O longa desenrola-se como uma interminável série, que nem atinge seu objetivo e também não conclui a problemática que iniciou.

 

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Ao término da sessão, a impressão que fica é confusa. A medida que tentamos ‘rebobinar’ o filme em nossas mentes para entender o que aconteceu, não conseguimos. Mesmo com interpretação decente e premissa interessante que certamente contribui com o cinema nacional, não é o suficiente para superar os buracos e falhas no roteiro sem contar com as pontas soltas que restam ao final do longa.

No mais, Chocante é um filme criativo, bem atuado e com premissa interessante, mas que peca feio no roteiro que parece não saber para onde ir. Apesar de não superar recentes produções brasileiras como o excepcional Bingo: O Rei das Manhãs e o excelente Polícia Federal: A Lei é Para Todos, a presente obra diverte por seu apelo visual e crítica social ao show business, mas que peca num roteiro confuso e inconsistente.

 

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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