Crítica | Boneco de Neve


Suspense e tensão em thriller policial ambientado na melancolia do inverno

O inverno não é apenas sinônimo de natal nos países do hemisfério norte, mas também de suspense e assassinato. Figuras inocentes, como um mero boneco de neve, podem tornar-se ameaçadores quando manchados de sangue. Nesta quinta-feira, dia 23 de novembro, apreciadores de thriller psicológico têm um bom motivo para irem ao cinema; Boneco de Neve (The Snowman) do diretor Tomas Alfredson (de O Espião Que Sabia Demais) e estrelado pelo talentoso Michael Fassbender (de Alien: Convenant). A obra em análise é baseada em livro homônimo escrito por Jo Nesbo e sua série literária estrelada pelo personagem Harry Hole.

O filme retrata uma séries de assassinatos que acontecem em Oslo, na Noruega, onde o criminoso deixa para trás um misterioso boneco de neve na cena do crime. Seguindo os passos dos detetives Harry Hole (Fassbender) e Katrine Bratt (Rebecca Ferguson) na solução destes intrigantes delitos, o telespectador embarca em um quebra cabeça de pessoas e fatos para, junto com sua dupla, encontrar o psicopata.

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Tanto a série de livros como a presente adaptação cinematográfica possuem enorme semelhança com o excepcional longa Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo) estrelado pela dupla Daniel Craig e Rooney Mara, que também é baseado numa obra literária. De acordo com o website IMDB, o sucesso desta adaptação inspirou os produtores a lançarem Boneco de Neve.

Dito isto, o espectador ingressa numa jornada intrigante, repleta de violência e mistério constante, apimentado por um latente desejo de revelar a identidade do psicopata.

A direção e fotografia do diretor Tomas Alfredson explora, com sucesso, o lado melancólico e desolador do cenário completamente coberto por neve. O cineasta consegue traduzir a famosa depressão de inverno à tela. Desolador e ameaçador, a imensidão branca esbanja perigo e desconforto. A locação dá ainda mais contraste quando banhado de sangue e corpos mutilados.

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Em contraste à qualidade visual, no entanto, o roteiro não segue o mesmo padrão. A história em si demonstra-se bastante complexa e repleto de ‘pontas soltas’ que posteriormente serão amarradas pelo público. Porém, essa não é a falha, mas sim a sequência de cenas em que os pedaços de informação são entregues à plateia. Cenas são abruptamente cortadas e depois retomadas sem quaisquer motivo, o que ajuda a complicar ainda mais o entendimento do que se passa na película. Felizmente, ainda assim é possível juntar as peças do quebra cabeça e se surpreender com o clímax final.

O detetive Harry Hole, estrela da série literária e vivida pelo talentoso Michael Fassbender, é um personagem aprofundado no roteiro. O ator consegue entrar na pele do investigador durão com facilidade, transmitindo uma emoção real ao cinéfilo. Fazendo par com ele, Rebecca Ferguson é a detetive Katrine Bratt que, movida por uma dramática história de sua vida, fará o que for necessário para encontrar o culpado. A atriz cai bem em seu papel e obtém êxito ao encenar momentos cruciais da trama. Assim como seu parceiro, tem o drama da sua vida contado através de flashbacks que nutrem o imaginário de quem assiste e dá significado a suas ações.

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A prestigiada atriz Charlotte Gainsbourg incorpora Rakel, ex-esposa do detetive Hole. Apesar de assumir papel secundário na trama, não deixa de nos agradar com boa performance. Ainda no elenco, J.k. Simmons encarna o misterioso e filantrópico empresário Arve Stop, que mesmo limitado a poucas cenas, contribui para a construção do puzzle. Excentricidade, caridade e segredos obscuros o tornam um personagem intrigante e difícil de digerir.

Embalando todos esses elementos, a mixagem de som realiza um bom trabalho com o áudio da película. A ambientação dada através dos canais surround é boa e nos permite ouvir o filme através da perspectiva do personagem, a depender do ângulo em que a câmera está posicionada. A transição entre canais surround para os frontais é suave e cenas como as que envolvem um lago congelado rachando, por exemplo, preenchem a sala de cinema sem soar agressivo aos ouvidos.

No mais, Boneco de Neve (The Snowman) é um longa mediano que esforça-se para soar interessante. Com diversos momentos dignos e um roteiro um tanto quanto confuso, é uma opção válida a quem gosta de thrillers policiais.

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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