Crítica | Blade Runner 2049


Aguardada sequência de prestigiado longa Sci-Fi é minucioso e elaborado com maestria

Um dos lançamentos mais aguardados do ano está finalmente chegando às telonas do Brasil, Blade Runner 2049 é sequência do icônico longa Blade Runner: O Caçador de Androides lançado em 1982, estrelado por Harrison Ford (Star Wars: O Despertar da Força) e dirigido por Ridley Scott (Alien: O 8º passageiro). O renomado título é adaptação da obra literária Do Androids Dream Of Electric Sheep? de Philip K. Dick, lançado em 1968.

A nova produção traz Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações) no papel principal e conta novamente com a participação do veterano Harrison Ford. A direção é assinada pelo canadense Denis Villeneuve (A Chegada).

Ryan Gosling como K

A premissa do filme segue 30 anos após os eventos já vistos no título dos anos 80. K (Gosling) é um blade runner cuja missão é caçar replicantes obsoletos. Porém, após descobrir uma misteriosa caixa com ossos que remetem a Rick Deckard (Ford) e que tem o potencial de desencadear caos no que resta da raça humana na terra, K precisará correr contra o tempo e mudar sua própria missão para descobrir a verdade.

Com base nesse breve resumo, o espectador é convidado a imergir nos poços de um mundo futurístico distópico, dominado pelo estilo Cyberpunk ou Cibernarquismo que retrata uma sociedade com alta tecnologia e baixa qualidade de vida. Esse cenário também pode ser vislumbrado na recente produção A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, estrelado por Scarlett Johansson (A Noite é Delas).

Metrópoles escuras e frias. Elementos do cyberpunk.

A vista é aterradora! A atmosfera que podemos sentir durante a projeção é de perigo iminente e uma certa depressão, pois, o planeta terra está completamente dominado por metrópoles obscuras, frias e muita pobreza. Chove constantemente, alguns lugares restam completamente abandonados e o espírito de humanidade já fora perdido. A situação é tão precária que madeira original, vinda diretamente de uma árvore, é artigo de luxo e vale muito dinheiro.

Todo esse detalhado e obscuro futuro dá azo ao desenrolar da trama, que agasalha-se perfeitamente no panorama apresentado. K é um personagem que vive nesse mundo sem contestar, até que vislumbra algo que muda sua perspectiva. O desenvolvimento do personagem é constante até a última cena. Somos tomados por uma curiosidade latente de saber cada vez mais a seu respeito. Sua chefe é a intrigante Lieutenant Joshi (Robin Wright, de Mulher Maravilha), que compõe o elenco feminino.

Luv vivida por Sylvia Hoeks

Aliás, nosso herói é constantemente perseguido pela habilidosa e fria Luv (Sylvia Hoeks, de O Melhor Lance) que não poupa esforços para caçar K e especialmente o que ele está buscando. A atriz incorpora o estilo durona e fria, sendo a principal vilã da trama. Sua missão fora dada por Niander Wallace (Jared Leto, de Esquadrão Suicida), dono da Wallace Corporation. O interesse do excêntrico personagem em K é um dos segredos a serem desvendados no decorrer dos fatos.

O roteiro escrito pela dupla Hampton Francher e Michael Green é a base de todo o universo que é construído por cima. Apesar do longo tempo de duração – 2 horas e 43 minutos – a obra não cai na monotonia e mantém-se interessante e reveladora em todos os momentos. A direção de Villeneuve imprime um passo constante na tela e mantém o tom cyberpunk muito refinado. A cinematografia é sensacional (sem exageros!), já que apesar de caótico, é belissimamente retratado com uma fotografia de encantar os olhos. O movimento das câmeras também é cuidadoso. Mesmo nas cenas mais agitadas, não se utiliza a frenética handycam. Os cortes são rápidos, mas o movimento é suave, portanto não dará dor de cabeça na platéia.

Jared Leto como Niander Wallace

Para colocar o público dentro de um universo melancólico de Cibernarquismo, a trilha sonora e mixagem de som são fator crucial para a empreitada e aqui, arquitetadas com todo cuidado. Em meio às sombrias e deprimentes metrópoles onde chove constantemente, a audiência será capaz de ouvir todos os detalhes do som ao redor pelos canais surround. Os pingos d’água são sentidos com riqueza, o ronco da cidade e motores transitam pela sala de cinema como se estivessem lá.

Além do excelente apelo visual, a presente obra é água para os ouvidos dos audiófilos de plantão, já que une toda mixagem de som à trilha sonora futurística de Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer. Os compositores combinam elementos de dark ambient com trip hop e soul munindo-se de teclados e sintetizadores distorcidos que produzem um clímax sonoro intenso, cortado por momentos de silêncio absoluto mas que mantém uma linha de baixo (bass line) que preserva o suspense da cena.

O veterano Harrison Ford

A trilha é hipnotizante e ‘estranha’ ao mesmo tempo. Zimmer e Wallfisch posicionam sons em várias camadas, criando uma tonalidade macabra que combina com o cenário. Os elementos utilizados variam de uma distorção que assemelha-se a uma colmeia de abelhas a outras como o rugido de uma máquina furiosa, similar aos tripods vistos em Guerra dos Mundos (2004). Uma vez que tudo é organizado, as faixas trazem grande tensão e um certo desconforto à plateia.

Para àqueles que estão contando os dias para vivenciar o presente longa, vocês têm todos os motivos para tamanha ansiedade. O filme é cativante, bem construído e repleto de plot twists que funcionam. Excelente performance, roteiro e trilha sonora. De quebra, ainda é uma alta dose de nostalgia aos fãs do primeiro longa-metragem. Um título que merece ser visto na tela grande e no som grandioso, que compõem uma boa sala de cinema. Imperdível!

 

 

 

 

 

Com ajuda do Review

O que você achou disso?

Chorei Chorei
0
Chorei
OMG OMG
0
OMG
Fail Fail
0
Fail
Amei Amei
2
Amei
Medo Medo
0
Medo
QUE?? QUE??
0
QUE??
Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

Crítica | Blade Runner 2049