Crítica | Beijei uma Garota

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Título Original:
Toute Première Fois

 

Ano: 2015

Gênero: Comédia

Duração: 98 min. (1h38min.)

Classificação: 14 anos

Roteiro: Maxime Govare, Noémie Saglio

Direção: Maxime Govare, Noémie Saglio

Elenco: Pio Marmaï, Franck Gastambide, Adrianna Gradziel, Lannick Gautry, Camille Cotin, Frédéric Pierrot

Acessa a página do filme no UniFrance Films, clicando aqui.

 

Por Pedro M. Tobias

“Há sempre uma primeira vez”

 

Dirigido e roteirizado pela dupla de cineastas franceses Maxime Govare e Noémie Saglio – debutantes nas telonas, Beijei uma Garota constrói, ao mesmo tempo, crítica social e ode à verdadeira busca da felicidade, enquanto deleita o espectador através de uma trama simples e recheada de clichês, contudo leve e divertida.

O enredo acompanha Jérémy Deprez (Pio Marmaï), prestes a se casar com Antoine (Lannick Gautry) após 10 (dez) anos de relacionamento, mas que após uma noite de ‘farra’ com o melhor amigo e sócio Charles (Franck Gastambide), acaba transando com Adna (Adrianna Gradziel). Apesar de nunca ter estado com uma garota antes, Jérémy se apaixona perdidamente, o que gera o conflito que dá base tanto ao desenvolvimento do filme quanto da crítica nele contida. Sem saber exatamente como proceder, Jérémy passa a levar uma vida dupla.

A forma como os diretores/roteiristas escolheram caracterizar o conflito vivido pelo personagem interpretado por Pio Marmaï (“A Delicadeza do Amor“, “Um Amor em Paris“) – ator homenageado do Festival Varilux 2015 – pode gerar no espectador reflexões incidentais pertinentes. Se por um lado os pais de Jérémy não só apoiam ferrenhamente a orientação sexual do filho como chegam a desprezar a filha hétero por suas opções convencionais, por outro, o próprio se vê estigmatizado por conta da “traição heterossexual”. Neste aspecto reside, talvez, a maior e mais provocativa crítica do filme.

Afinal, qual o verdadeiro caminho para a felicidade?

“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”, aponta categórica e assertivamente Matahma Gandhi. Se o que define a etérea passagem do homem pela vida é a busca constante da felicidade, por que então restringi-la através de nomenclaturas, definições, etc? A sutileza agressiva com que um tema tão delicado atualmente é levantado no filme é magnífica. O roteiro não exala panfletagem (como alguns podem citar), mas apenas aborda um tema polêmico sobre um aspecto simples.

Apesar dos adjetivos, o filme perde muito de seu potencial na direção. A dupla de diretores apenas seguiu à risca certos padrões hollywoodianos. Apesar da premissa subversiva, é nítida a forma como os clichês de outros tantos filmes do gênero são fielmente repetidos em Beijei uma Garota. Nesta perspectiva cai a própria força da originalidade do longa, o que não chega a prejudicá-lo em demasia como obra ou mesmo a própria experiência do expectador.

Com um toque leve necessário à boa parte das comédias românticas, o filme arrebata nas inúmeras e muito divertidas cenas de humor e na construção de um romance que não se prende a rótulos.

AVALIAÇÃO GERAL: 100% (EXCELENTE)

 

Assista ao trailer:

Filme exibido durante o Festival Varilux de Cinema Francês 2015.

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