Crítica | As Aventuras do Capitão Cueca – O Filme


Escola comum é retratada através do olhar de alunos criativos e seu fictício super herói

O dia das crianças está chegando e um bom presente que os pais cinéfilos podem dar aos seus filhos é uma descontraída e cativante sessão de cinema. As Aventuras do Capitão Cueca: O Filme, do diretor David Soren (Turbo, 2013), é uma excelente escolha para os baixinhos. A obra é baseada na série de livros homônimos infanto-juvenil escrito por Dav Pilkey. Apesar da premissa pouco atrativa, o filme surpreende pela animação de qualidade e boas piadas que divertirão não apenas os mais jovens.

 Jorge e Haroldo são melhores amigos de escola que detestam os métodos chatos e rígidos da instituição. A reputação da dupla também é ruim e são conhecidos por pregarem pegadinhas no autoritário Diretor Krupp. Porém, quando uma dessas peças sai errado e os garotos hipnotizam o mandante, acabam por transforma-lo no personagem fictício que haviam criado juntos: o Capitão Cueca.

Apesar do diretor não ser mais um problema, a chegada no novo professor de ciências – o Fraldinhasuja – que por conta de seu nome fruto de bullying, elabora um plano para extinguir o riso do mundo. É a primeira missão para o Capitão Cueca e seus aliados.

Com base nessa premissa, somos convidados a perceber o que é uma escola aos olhos de crianças criativas.

Jorge e Haroldo são dois personagens que não caem no típico clichê de serem ‘burros’ propositalmente. Ao contrário, a dupla de jovens é cativante e inteligente. Ambos possuem uma casa na árvore onde escrevem quadrinhos das mais variadas temáticas. Eles vêm o ambiente acadêmico quase que como uma penitenciária, onde os alunos são prisioneiros e os professores, sádicos mestres desprovidos de qualquer empatia.

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Interessante notar que o maior inimigo da dupla, porém, é o Diretor Krupp. O sujeito incorpora todas as ‘qualidades’ de um tirano. Sendo retratando em tela de forma caricata, como alunos enxergam o vêm, ou como um funcionário insatisfeito pode ver seu chefe. A ironia mora no fato deste sujeito, que posteriormente descobrimos sobre sua (infeliz) vida pessoal, tornar-se o ‘super’ herói da estória.

Capitão Cueca é um defensor destemido e comprometido em ajudar, não importa a situação. Possui ego inflado e é desprovido de inteligência ao ponto de ser totalmente inconsequente. Em determinados momentos, suas boas ações acabam por atrapalhar mais do que ajudar. De toda forma, ver o antigo diretor como um atrapalhado valente arrancará muitas gargalhadas das crianças.

O roteiro eventualmente traz um vilão à altura do capitão. O professor Fraldinhasuja. Ridicularizado por seu nome a vida toda, decide criar uma arma que aniquila nossa habilidade de rir. O excêntrico acadêmico tem um sotaque estranho e aparência que se assemelha muito a Albert Einstein.

Divulgaçã

Vale observar, que muito do humor presente na obra origina-se de expressões ‘sujas’, que vão de cuecas a almofadas que simulam o som de ‘peidos’. O robô gigante que o professor maluco inventa é um enorme vaso sanitário. Tal apelo pode não satisfazer alguns espectadores, especialmente os adultos. Porém, a escolha dos elementos mencionados parece ter sido certeira em relação ao público infantil presente na projeção.

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No mais, As Aventuras do Capitão Cueca: O Filme é uma obra interessante, com roteiro que mescla inocência com um humor alfinetado, que satiriza aparência, nomes, comportamentos e nos mostra a caricatura de uma escola comum, vista pela ótica de personagens criativos e cativantes. É um excelente presente de dia das crianças, para quem tem filhos (pequenos) e desejam apresenta-los ao espetacular mundo do cinema.

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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