Crítica | Assassinato no Expresso Oriente


Agatha Christie projetada em longa complexo e refinado

Agatha Christie é uma das autoras mais vendidas na história, ficando atrás apenas da bíblia e de Shakespeare. Conhecida como a ‘rainha do crime’ e de acordo com o Guinness Book, é a romancista mais bem-sucedida da literatura mundial. Felizmente, a trama Assassinato no Expresso Oriente chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 30 de novembro, em obra dirigida e estrelada por Kenneth Branagh (de Dunkirk) para a alegria de cinéfilos e fãs da prestigiada escritora.

A trama segue o detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh), autointitulado de ‘o melhor detetive do mundo’, a bordo do Expresso Oriente, quando é surpreendido com o assassinato de um dos passageiros. Movido por seu senso de justiça e inquietude, o prestigiado investigador segue em busca de respostas e solução para este chocante crime.

Apesar da simples e objetiva premissa, o que aguarda o espectador é um complexo quebra cabeça de pessoas envolto por um suspense constante.

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Hercule Poirot é vivido na tela por Kenneth Branagh que, conforme mencionado anteriormente, também dirige a presente obra. O cineasta imprime à película um passo rápido e constante. Desde as cenas iniciais já podemos vislumbrar Poirot solucionando um dos seus casos de forma brilhante. A fotografia permanece cautelosa em mostrar quadros de diversos ângulos, alguns até incomuns, para que a plateia não perca detalhe algum. Inclusive, o diretor entrega cenas sem cortes onde um único take segue os atores em tela por um longo período.

Uma vez que as peças estão em jogo, o roteiro faz bonito em estampar uma história complexa, de múltiplas camadas onde cada personagem é aprofundado em detalhes e cada ocorrência é cautelosamente orquestrada para permitir que o espectador monte seu próprio quebra cabeças, assim como o detetive. É enorme responsabilidade traduzir Agatha Christie ao cinema, afinal, qualquer erro de cálculo na dosagem de informação poderia quebrar a corrente de dúvidas e revelações que cerca o cinéfilo do início ao fim da projeção. É seguro afirmar que o plot não falha e mantém-se firme e intrigante em todos os momentos da narrativa.

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O elenco é um dos pontos altos da produção. Em uma trama de tamanha complexidade, cada personagem é importante em suas devidas proporções. O já mencionado detetive é o ponto principal do enredo e suas descobertas e atitudes aproximam ou distanciam o público dos outros protagonistas. É como se o diretor nos convidasse a ‘entrar’ na pele do investigador.

Podemos destacar vários nomes de peso vivendo os excêntricos suspeitos trancados na virtuosa locomotiva; Hector MacQueen é vivido pelo ator em ascensão Josh Gad, já vistos em papéis cômicos como no live action A Bela e a Fera (2017) e dando voz ao boneco de neve Olaf em Frozen: Uma Aventura Congelante; Judi Dench – recentemente em Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha – tem um tímido, porém importante, papel como a Princesa Dragomiroff; Michelle Pfeiffer, vista recentemente no controverso longa Mãe!, retorna com todo seu ar de mistério e perigo no olhar como Caroline Hubbard; Penélope Cruz também vive um introvertido papel, na pele de Greta Ohlsson. A atriz é facilmente reconhecida pela sua presença de cena e sotaque característicos.

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O americano Willem Dafoe, visto ultimamente em Liga da Justiça, consegue destacar-se na obra em análise. Seu personagem, o professor Gerhard Hardman, é bastante intrigante e envelopado por mentiras e dissimulações constantes. Daisy Ridley liberta-se de seu estereótipo já consolidado em Star Wars: O Despertar da Força e faz bonito ao interpretar Mary Debenham.

Outro ator em ascensão e que tem bastante relevância para o mistério é Leslie Odom Jr., na pele do Dr. Arbuthnot – presente em diversas cenas importantes da trama. Por fim, o infame Johnny Depp interpreta o mafioso Ratchet, entregando o proposto com a devida naturalidade que já era de se esperar.

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Além da fotografia bem trabalhada, roteiro multicamadas e elenco de peso, os produtores capricharam na mixagem de som. Todos os sons e rangidos do trem em movimento, assim como detalhes mínimos que podem ser uma batida na parede ou passos no corredor são processadas pelos 7.1 canais de áudio do cinema excelentemente bem. A sonoridade não abusa dos nossos ouvidos e compõe grande parte do mistério.

Interessante notar como atemporal a presente história é. Mesmo com 83 anos de lançamento da obra literária, Agatha Christie é capaz de surpreender com o chocante desfecho que imprime em seus romances de investigação. Enquanto longas atuais chocam com violência extrema, o presente título não o faz. Mesmo tratando-se de algo tão complexo, que deve ser apreciado com atenção aos mínimos detalhes, a forma e a ordem que as peças são entregues permite que o público não saia frustrado da sessão pensando ‘não entendi o que aconteceu’. Muito pelo contrário.

No mais, estamos diante de um grande e imperdível lançamento cinematográfico que tem todos os elementos necessários para pensar em um possível OSCAR no próximo ano. Recheado de mistério, é recomendado para todo tipo de frequentador de cinema.

 

 

Com ajuda do Review

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Thiago

Professor de inglês e Advogado. Apaixonado por música, filme e pizza!

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