Crítica | A Morte de Luís XIV


Título original: La Mort de Louis XIV

Ano: 2016

Gênero: Biografia, Drama, História

Duração: 115 min. (1h55min.)

Classificação: 12 anos

Roteiro: Albert Serra, Thierry Lounas

Direção: Albert Serra

Elenco: Jean-Pierre Léaud, Patrick d’Assumçao, Marc Susini, Irène Silvagni, Bernard Belin, Jacques Henric

Acesse o site oficial do filme, clicando aqui.

 

Por Pedro M. Tobias

“Um filme difícil com uma temática interessante”

 

Em seu mais recente trabalho, o cineasta catalão Albert Serra (“Honra de Cavalaria“, “História da Minha Morte“) aborda os últimos dias do Rei Luís XIV, considerado o maior Rei da França, cujo reinado – um dos mais longos da história – se estendeu por 72 anos (entre 1643 e 1715).

Historicamente, o Rei Luís XIV foi um dos maiores representantes do absolutismo real, que na França perdurou até a Revolução de 1789. Durante seu reinado, alçou a França ao status de potência dentro da Europa, tendo lutado nas Guerras Franco-Holandesa, dos Nove Anos e da Sucessão Espanhola.

Foi o responsável pela transferência da Corte Real e da administração francesa de Paris para Versailles, transformando a então casa de caça em um dos maiores e mais luxuosos palácios do mundo inteiro.

Na obra de Serra, o Rei Sol, como era conhecido, é despojado de toda a sua pompa e resplendor. Ele começa a sentir dores na perna após uma caminhada e, nos próximos dias continua a cumprir seus deveres e obrigações, porém é acometido por uma febre incessante e tem dificuldade de comer e dormir, se mostrando cada dia mais fraco.

Jean-Pierre Léaud (“O Porto“, “Camille Outra Vez“) dá vida (sem trocadilho) ao monarca francês, e o faz com uma habilidade incrível. O experiente ator da nouvelle vague, traz ao longo do filme uma expressão de resignação que vai sendo construída conforme a doença que o aflige avança.

O trabalho de composição de personagem de Léaud é crucial para o filme, já que está presente em praticamente todas as cenas. A dor que o Rei Sol sente é transmitida pelo ator através de micro expressões: um leve tremor nas pálpebras, um gemido contido, o olhar baixo. Uma composição mais grandiloquente levaria facilmente o filme de Serra ao melodrama.

A direção de câmera, por sua vez, reflete a escolha do Diretor em acompanhar mais seu protagonista que o cenário em que ele está inserido. Através de planos longos em close up, enquadrando sobretudo Luis XIV, Serra enaltece o trabalho de Léaud sem deixar de pontuar as implicações que a finitude de seu protagonista traz.

Isso pode ser observado, por exemplo, na cena em que o Rei ordena que alguns documentos sejam queimados, fazendo referência à tentativa de impedir a ascensão de Filipe de Orleans ao trono. Outro exemplo é a conversa com uma criança (provavelmente seu bisneto, o Duque de Anjou) em que menciona seu interesse por guerras e arquitetura.

Outro destaque da obra é a composição visual e técnica. Apesar do minimalismo dos quadros, é possível perceber o trabalho de Design de Produção de Sandra Figueiredo nos talheres e objetos cênicos, bem como o primoroso Figurino de Nina Avramovic. A Fotografia de Jonathan Ricquebourg, por sua vez, utiliza muito bem efeitos de luz e sombra através da iluminação natural de velas, o que só enaltece o trabalho de Sandra e Nina, bem como a interpretação de Léaud.

A Morte de Luís XIV não é um filme fácil. Pelo contrário, a obra exige do espectador um senso de eutimia. As quase 2h de projeção parecem se estender até o ponto de exaustão ao longo dos inúmeros planos longos. Há um ou outro momento que sugere um certo aprofundamento das questões políticas ou mesmo uma suposta trama por trás da doença do Rei, o que é logo abandonado em detrimento da estética do Diretor.

AVALIAÇÃO GERAL: 50% (REGULAR)

Assista ao trailer:

 

O que você achou disso?

Chorei Chorei
0
Chorei
OMG OMG
0
OMG
Fail Fail
0
Fail
Amei Amei
0
Amei
Medo Medo
0
Medo
QUE?? QUE??
0
QUE??
Pedro M. Tobias

Hier encore javalis vingt ans! "O caminho do homem justo está cercado por todos os lados pela iniquidade dos egoístas e a tirania dos maus" (Ezequiel 25:17)

Crítica | A Morte de Luís XIV