Crítica 2 | Logan


Título original: Idem

Ano: 2017

Gênero: Ação, Drama, Ficção-Científica

Duração: 137 min. (2h17min.)

Classificação: 16 anos

Roteiro: Scott Frank, James Mangold, Michael Green

Direção: James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Richard E. Grant, Eriq La Salle, Elise Neal, Quincy Fouse

Acesse o site oficial do filme, clicando aqui.

 

Por Pedro M. Tobias

“Sou o melhor no que faço, mas o que faço não é nada bonito”

 

Em Agosto de 2000, chegava aos cinemas do Brasil X-Men: O Filme, primeira incursão dos mutantes criados por Stan Lee e Jack Kirby nas telonas e filme responsável por alçar o então desconhecido ator australiano Hugh Jackman (“Peter Pan“, “Voando Alto“) ao estrelato. Quase duas décadas e 7 filmes depois, sendo dois deles exclusivos do personagem, Jackman vive o mutante Wolverine pela última vez em Logan e entrega um filme que a despeito de suas falhas consegue satisfazer os ávidos fãs de quadrinhos e do personagem.

O filme se passa em 2029. Os X-Men não existem mais e os mutantes foram praticamente extintos. Logan (Hugh Jackman), que agora atende pelo seu nome de batismo, James Howlett, ganha a vida fazendo bicos de motorista particular enquanto cuida do Professor Xavier (Patrick Stewart), que parece sofrer de alzheimer ou outra doença degenerativa semelhante.

Após tantos anos vendo todos que amava serem mortos, Logan parece estar se encaminhando à sua morte com o fator de cura diminuindo lentamente e o adamantium em sua estrutura óssea o envenenando aos poucos.

Nesse cenário pouco promissor, ele é mais uma vez chamado à ação (e à violência que parece intrínseca à sua natureza) quando descobre que uma nova corporação está realizando experiências com o DNA mutante, o que gerou, dentre outros, a mutante X-23 (Dafne Keen), concebida através do material genético de Logan.

É através desse pano de fundo que o Diretor James Mangold (“Encontro Explosivo“, “Wolverine: Imortal“), que também assina o roteiro, ao lado de Scott Frank (“Caçada Mortal“) e Michael Green (“Lanterna Verde“), constrói um road movie dramático que usa o “super herói” apenas como estopim.

O longa promove a superação desse conceito de que, em sua maioria, filmes baseados em super heróis (e em quadrinhos) devem ser tratados como um subgênero de Ação. É importante frisar que essa abordagem não é pioneira. Nos últimos anos, é possível citar alguns outros filmes que também extrapolaram a “fórmula”, tais como Batman: O Cavaleiro das TrevasO Homem de Aço e Deadpool.

Logan é construído através das relações entre seus personagens e como cada um deles reage às características dos demais. É menos importante ver Wolverine desmembrando inimigos que observar a forma como ele cuida do Professor Xavier genuinamente como a um pai. O protagonista carrega um fardo inimaginável e a atuação extremamente física de Hugh Jackman traz o espectador para mais próximo de seus dramas pessoais.

Os músculos, obviamente, ainda presentes, são uma lembrança de um passado distante. O andar desajeitado e a respiração sempre ofegante após qualquer exercício além de caminhar – o que aliás, faz lembrar um pouco do trabalho de Mickey Rourke em “O Lutador” -, bem como o olhar vazio e a fala arrastada, falam tudo o que se precisa saber sobre o personagem. Curioso é notar que boa parte do apego ao Wolverine de Jackman por parte do público nesse filme só foi possível graças ao tempo em que ele o interpretou nos cinemas, mesmo com filmes solo abaixo da média.

Os desempenhos de Patrick Stewart (“Sala Verde“, “Christmas Eve“) e da estreante nos cinemas Dafne Keen são, tal qual o de Jackman, imprescindíveis ao sucesso da narrativa. Só um ator do calibre de Stewart seria capaz de interpretar um personagem velho, cansado, que aos poucos está perdendo a sanidade.

Keen, apesar de uma estreia difícil, no papel de co protagonista, consegue se sair muito bem, demonstrando um carisma incrível mesmo com pouquíssimas falas bem como um range dramático digno de nota.

Há em Logan um cuidado genuíno com o tratamento dado aos personagens. Talvez por ser o último filme de Hugh Jackman no papel do anti herói que é o melhor no que faz, citando a célebre frase do personagem nos quadrinhos, houve um apuro em relação aos demais filmes solo e o resultado é uma obra sóbria com uma estrutura até certo ponto sólida mas que ainda apresenta falhas, como a inclusão de um vídeo filmado do celular com edição profissional e voice over.

AVALIAÇÃO GERAL: 80% (MUITO BOM)

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Pedro M. Tobias

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Crítica 2 | Logan