Crítica 2 | A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell


Título original: Ghost in the Shell

Ano: 2017

Gênero: Ação, Crime, Drama

Duração: 107 min. (1h47min.)

Classificação: 14 anos

Roteiro: Jamie Moss, William Wheeler

Direção: Rupert Sanders

Elenco: Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt, Chin Han, Danusia Samal, Lasarus Ratuere, Yutaka Izumihara, Tawanda Manyimo, Peter Ferdinando, Anamaria Marinca 

Acesse o site oficial do filme, clicando aqui.

 

Por Pedro M. Tobias

“No fim, é só mais um blockbuster de ação”

 

Entre o final da década de ’80 e o início dos anos 1990, Masamune Shirow criou o mangá “Ghost in the Shell“. O sucesso da obra de Shirow gerou, em 1995, o anime O Fantasma do Futuro, o que expandiu ainda mais a já extensa base de fãs não apenas no Japão como no mundo todo.

Finalmente, em 2017, chega aos cinemas a adaptação live action de “Ghost in the Shell“. O filme é baseado tanto no mangá e no anime originais quanto nas demais obras derivadas.

Num futuro não muito distante e altamente informatizado a ponto dos seres humanos poderem acessar extensas redes de informações através de conexões neurais, além de serem capazes de aumentar artificialmente suas capacidades através de implantes, Major (Scarlett Johansson) representa um passo gigantesco rumo à singularidade da raça humana. Seu corpo foi criado tendo como base apenas seu cérebro, tendo sobrado de humano somente um fantasma de si mesma.

Essa aproximação do humano com a máquina é o cerne da obra criada por Shirow. Tanto no mangá quanto no anime originais, o ponto central é o debate quanto à própria condição humana. Tal conceito foi criado a partir da obra “O Fantasma da Máquina”, publicada em 1967 por Arthur Koestler, na qual ele questiona a tradicional dualidade cartesiana entre corpo e mente. De acordo com essa teoria, o corpo humano se constitui de uma espécie de máquina complexa sendo controlado pela alma (ou pela mente).

No filme de Rupert Sanders (“Branca de Neve e o Caçador“), esse ponto central chega até a ser arranhado através de um ou outro diálogo envolvendo sobretudo a personagem de Scarlett Johansson (“Mogli: O Menino Lobo“, “Capitão América: Guerra Civil“), sem, contudo, se sobrepor à necessidade de transformar o conteúdo original em mais um blockbuster de ação vazio e desprovido de qualquer ambição.

O roteiro, escrito por Jamie Moss (“Os Reis da Rua“) e William Wheeler (“Rainha de Katwe“), ao abordar o passado de Major, o que aproxima o filme dos demais animes baseados na obra de Shirow, reduz a importância do debate central proposto no mangá. Isso é feito com a inserção de uma possível conspiração envolvendo o passado de Major e do vilão Kuze (Michael Pitt). O que deveria ser um questionamento recorrente por parte da protagonista (sua condição humana), fica de lado em detrimento de sua busca por respostas envolvendo o passado.

Um dos principais méritos do filme é Scarlett Johansson. A atriz se aproxima muito da versão apresentada no anime sem, todavia, parecer imita-la. Vale citar como ela consegue transmitir claramente as emoções da personagem basicamente através da fala, sem usar muitas expressões, além do andar intransigente. Major poderia muito bem ser o resultado de uma fusão entre Samantha (“Ela“) e Lucy (“Lucy“), ambas interpretadas por Johansson, o que é no mínimo curioso.

O Design de Produção de Jan Roelfs (“47 Ronins“, “Crimes Ocultos“) é outro ponto alto. Já no início do filme, logo após a já icônica cena da “criação” de Major, através de uma travelling muito bem executada, somos apresentados àquele universo futurístico. Obviamente, muitos dos conceitos utilizados por Roelfs já existiam ou foram baseados no material original, entretanto, a adaptação feita principalmente em relação à arquitetura da cidade é muito boa e digna de nota.

Adaptar uma obra para outra mídia não implica necessariamente repetir todos os elementos originais, até porque isso deturpa todo o sentido da própria palavra ‘adaptar’. Entretanto, os conceitos basilares devem ser respeitados, com exceção de se tratar de um processo de reimaginação, o que não é o caso aqui. A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um filme com tantos méritos quanto seu título no Brasil. Boa parte da bagagem filosófica do material original foi abandonada para dar vazão a um blockbuster de ação com cenas de luta bem coreografadas e com direito a câmera lenta e explosões.

AVALIAÇÃO GERAL: 50% (REGULAR)

 

Assista aos trailers:

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Pedro M. Tobias

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