Crítica | 007 – Operação Skyfall


Título original: Skyfall
Ano de lançamento: 2012
Diretor: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Javier Barden, Judi Dench, Ralph Fines, Naomi Harris, Ben Whishaw, Bérénice Malhore, Rory Kinnear

Sabem uma coisa que eu detesto no cinema? Modinhas. E desde que Christofer Nolan – um ótimo diretor, não me entendam mal – trouxe para a sétima arte a estética realista com sua trilogia do Cavaleiro das Trevas, vários outros cineastas optaram por seguir os mesmos métodos, mais ou menos como aconteceu com Matriz no final dos anos noventa e primeiros anos da década seguinte, quando vários filmes usavam e abusavam do slow-motion e dos trajes negros, mesmo que o universo do filme em si pouco ou nada tivesse a ver com aquilo (vide X-Men do Brian Synger). E é o que vem acontecendo com os filmes do James Bond nos últimos anos, ainda que por motivos um pouco diferentes. O ótimo Cassino Royale trouxe uma abordagem mais crua e tangível justamente pelo fato de seu antecessor O Mundo Não é o Bastante ter exagerado nos efeitos CGI e nos absurdos tanto roteirísticos quanto visuais, deixando-o com uma cara mais de filme de ficção do que de uma adaptação da obra de Ian Fleming. Quantum of Solace seguiu a mesma linha, com o acréscimo de que o longa se tratava de vingança, logo deveria ser sombrio e não deixar espaço algum para escapismos.

Sam Mendes, diretor deste Skyfall, não poderia deixar de fazer o mesmo, principalmente pela já mencionada modinha ao seu favor. O que pode se tornar bastante irritante, pois o cineasta tenta fugir ao máximo dos tradicionais e “antiquados” motes bondianos, só usufruindo deles quando se é inevitavelmente necessário, sendo na abertura videoclíptica ou na clássica música tema dos filmes do herói, que neste filme toca pouquíssimas vezes, só para sabermos que ela está lá. Eu gostava dos filmes de Roger Moore e Pierce Brosnam pois, apesar de serem cômicos e fantasiosos, eram entretenimento garantido, filme para divertir. O erro de Mendes com Skyfall é o mesmo erro de Nolan com Batman, exceto que em seu erro, Nolan… Acertou! Neste 007, não se usam mais carros invisíveis, bugigangas que te fazer voar e nem gadgets absurdas. Só se tira saro delas. O que limita bastante o novo Q, que teve que arrumar outra função para voltar ao mercado.

Aliás, falando em Christofer Nolan, é abusiva a inspiração de Mendes neste. Principalmente em seu vilão, Silva, que, apesar de brilhantemente interpretado por Javier Barden e já figurando entre os melhores inimigos do agente secreto, é uma cópia camuflada do Coringa de Heat Ledger, seja no visual exótico aos planos mirabolantes, com em ser preso e logo conseguir escapar, no que Bond solta “Ele planejou ser capturado!”. Te soa familiar?

O filme também sofre gravemente de falta de criatividade e redundantísmo. Seja na cena de ação inicial com Bond lutando com um cara em cima de um trêm em movimento, a-lá Indiana Jones, seja o enredo (007 tem que recuperar uma lista de agentes secretos da M16 que foi roubada – e depois de um tempo totalmente esquecida no roteiro – Ohh, que original!), e seja na Bond Girl secundária que sempre morre. Sério, os roteiristas, que são os mesmo desde Cassino Royale, precisam ser substituídos urgentemente, pois só de olhar os pôsteres promocionais do filme eu sabia que a personagem Severine iria morrer. Sua morte, aliás, é uma das maiores fraquesas do filme. Primeiro porque, após Eva Green e Gemma Arterton nos dois anteriores, foi uma decisão pessimamente tomada fazer a mesma coisa mais uma vez. Mais uma garota com quem Bond tem um affair morre, pela terceira vez seguida! E depois porque Bond poderia muito bem tê-la salvo, imobilizando os vilões exatamente como fez logo após ela ser alvejada. Por que não fez isso antes?? Só Deus sabe. E além disso o agente não se importou nenhum pouco com a falecida, ainda soltando um gracioso comentário fazendo pouco de sua morte. Alguém deve achar isso engraçado. Eu não.

E pode parecer confuso, mas onde Sam Mendes erra ao apelar para clichês batitos, ele também erra quando tenta inovar em momentos errados. O clímax do filme é o melhor exemplo, se passando no provinciano lar natal de Bond, onde ele deve usar dos artifícios mais primários para se livrar do vilão. A longa cena se parece mais com um filme de menos expressão do Van Damme e do Steven Segal que um do James Bond. Ou como eu li em um comentário por aí, “um Esqueceram de Mim para adultos”.

Apesar de tudo o filme tem seus poucos méritos. A excelente fotografia e beleza de algumas cenas são de tirar o fôlego, e Daniel Craig como Bond, apesar de meio falho como agente (deixa pelo menos umas três pessoas inocentes morrerem desnecessariamente), entrega um personagem já com uma certa idade e depressivo, não sabendo lidar com as novidades da tecnologia e consigo mesmo. É interessante ver um agente depressivo, e Craig cumpre bem seu papel, apesar de o Bond original ser bem mais interessante e divertido, o que me gera a dúvida que se o que estamos vendo ali é realmente o personagem de Ian Fleming. Eu acho que não. Judd Dench tem a maior participação de M provavelmente na série toda, e seu desfecho é memorável. Também é muito bom ver que o filme estabeleceu algumas coisas, como o novo Q, o novo M e a “nova” Moneypenny, que nos é apresentada de maneira bem esperta e surpreendente.

Uma pena que o filme peque tanto, pois tinha um bom potencial para ser um grande filme da franquia, embora nem isso o podemos considerar. Sem gadgets justamente em tempos de avanço tecnológico, sem Bond girls, sem o Bond confiante, divertido e fanfarrão, só posso chegar à conclusão de que não se trata de um longa do James Bond, e sim apenas um filme de ação medíocre.

Apesar disso tudo, o mesmo é sucesso de crítica e está prestes a se tornar a maior bilheteria de um filme 007. Espero que com o tempo e a diminuição da empolgação, as pessoas o vejam como ele realmente é. E como fã da série, espero ansiosamente pelo próximo filme, cheio de expectativas em relação à mudanças necessárias.

 

NOTA: 4,0

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  • Matheus

    Sabe o que odeio? Metidinhos a crítico como vc!

    • cinecinemania

      calminha ai rapaz, é só um lado da visão crítica dele…

Crítica | 007 – Operação Skyfall