COLUNA | As franquias na (des)construção do Cinema criativo.

by

Para começar gostaria de deixar claro que o propósito do texto não é desmoralizar as franquias cinematográficas, muito pelo contrário, sou um grande fã de várias, como, por exemplo, a trilogia ‘O Poderoso Chefão’, a franquia ‘Harry Potter’, a trilogia ‘Batman’ de Christopher Nolan, assim como muitos outros. O que incomoda é o rumo que a indústria da Sétima Arte está tomando; cercada por um mar de filmes com alto custo de produção, transbordando de efeitos especiais e fabricados em forma com o único propósito de vender e agradar adolescentes cheios de dinheiro e com muita vontade de gastar.

XXX TRANSFORMERS-AGE-EXTINCTION-MOV-JY-4661-.JPG A ENT

A falta de uma programação menos comercial está em falta, enquanto que, nos cinemas alternativos, a programação existe, mas a falta de público e consequentemente de investimentos acaba obrigando muitos a fecharem as portas. Os cinemas tradicionais estão correndo risco de deixarem de existir, as grandes salas de cinema estão sendo restringidas franquias fabricadas em formas, e as produções originais estão perdendo espaço.

Felizmente, alguns ainda conseguem surgir como uma luz no final do túnel a fim de aliviar essa saturação de gêneros iguais, relacionamentos “água com açúcar” e roteiros extremamente previsíveis. A indústria audiovisual brasileira é um exemplo dessa resistência, investindo pesados em projetos originais, de baixo custo e de bom gosto, como, por exemplo, as produções ‘O Lobo Atrás da Porta’, ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’ e ‘Praia do Futuro’.

É possível, sim, conseguir uma receita positiva com uma produção de baixo orçamento. Isso já foi provado diversas vezes, como, por exemplo, com o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, a produção franco-brasileira Central Brasil com Fernanda Montenegro, que lucrou 22,462,500 dólares em todo o mundo. Vários outros filmes, também, conseguiram o mesmo feito, aliás, o cinema começou sua história com as pequenas produções que ganharam o mundo utilizando, como técnica, a paixão e a dedicação pela arte.

Central-do-Brasil

Não precisamos de cinquenta franquias iguais e sem criatividade, uma adaptação bem feita ou um filme original de qualidade já consegue suprir a “falta”. Não fazemos questão do 3D – não contribui em nada na maioria dos filmes e é extremamente desconfortável para quem usa óculos – e de três horas de pura embromação com dragões e adolescentes pulando de prédios.

Um pouco de originalidade cairia bem.

Eita, vê se gosta desses aqui também

  • Um dos textos mais notáveis que já tive o prazer de ter lido.
    Parabéns ao blogueiro.

  • Marcelo Serc

    Um bom texto. Parabéns.